Em artigo publicado nesta segunda-feira (2), a revista britânica The Economist avalia que a escalada militar envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã pode provocar um dos maiores choques já vistos no mercado global de petróleo, com efeitos diretos sobre preços, inflação e atividade econômica.
Segundo a publicação, a recente ofensiva ordenada pelo presidente Donald Trump, que resultou na morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, elevou significativamente a tensão no Golfo e aumentou a volatilidade nos mercados de energia.
O texto destaca que o barril do Brent chegou a ultrapassar US$ 82, acumulando alta de cerca de 13% em poucos dias, o maior salto em quatro anos.
A commodity fechou nesta segunda com alta acima de 6%, a 77,74 o barril.
Para a revista, a reação do mercado indica que o cenário atual vai além de uma instabilidade pontual. “À medida que o conflito se espalha, os preços podem subir ainda mais”, afirma o artigo.
Analistas ouvidos pela publicação apontam que, antes da escalada, havia expectativa de excesso de oferta global de petróleo em 2026, o que poderia pressionar os preços para níveis próximos de US$ 55 por barril. No entanto, as tensões geopolíticas alteraram esse quadro.
O texto ressalta que o principal risco está em uma eventual interrupção no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um terço do petróleo transportado por via marítima no mundo. Um bloqueio total da região poderia levar o preço do petróleo a US$ 100 por barril ou mais.
Diferentemente de confrontos anteriores, a atual escalada envolve ataques diretos a infraestruturas estratégicas na região. De acordo com a publicação, refinarias, instalações de gás e campos petrolíferos em países do Golfo estão no alcance de mísseis e drones iranianos, o que amplia a percepção de risco entre investidores.
Além disso, a revista destaca que o impacto não depende apenas da produção, mas também da capacidade de escoamento. A insegurança na navegação já elevou os custos de seguro e transporte, e navios petroleiros passaram a evitar a travessia do estreito.
“Grandes grupos de navios aguardam parados dos dois lados da passagem”, diz o texto.
Mesmo sem um bloqueio formal, interferências eletrônicas, ataques a embarcações e exercícios militares aumentam o risco de acidentes, o que pode reduzir a oferta global. As rotas alternativas disponíveis, como oleodutos na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, têm capacidade limitada e não compensariam totalmente uma interrupção.
A revista também aponta que o cenário de médio e longo prazo dependerá da evolução política no Irã. Caso haja mudança de regime, o país poderia retornar ao mercado global com maior produção, reduzindo o prêmio de risco geopolítico e contribuindo para a queda dos preços.
No entanto, se setores mais radicais permanecerem no poder, a instabilidade pode se prolongar e manter um adicional de risco permanente no petróleo.
A alta do petróleo pode pressionar a inflação e prejudicar a popularidade de Trump antes das eleições legislativas nos Estados Unidos, segundo a The Economist. Estimativas citadas pela publicação indicam que um aumento de US$ 10 no preço do Brent costuma elevar rapidamente o preço da gasolina, com impacto direto sobre o custo de vida.
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Fonte : CNN