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O Prêmio do Sindicato dos Atores — agora conhecido como Actors Awards, após um rebranding no final de 2025 — realiza sua cerimônia neste domingo (1º), com transmissão exclusiva pela Netflix. A lista de indicados é liderada por “Uma Batalha Após a Outra“, com sete indicações. Mas por que a premiação é considerada um dos principais termômetros da temporada de prêmios?

A resposta começa pelo que torna o Actors Awards importante: é a única premiação significativa concedida por atores e para atores. Diferentemente de um prêmio da crítica ou dos festivais, trata-se do reconhecimento dos próprios pares.

São os atores dizendo, na prática, quais performances reconhecem como suas, quais narrativas abraçam e, sobretudo, quais carreiras estão dispostos a celebrar. Mas há um elemento ainda mais concreto que explica sua influência: a premiação compartilha um número expressivo de votantes com o Oscar.

Os membros que votam nas categorias de atuação da Academia, um grupo composto por mais de 1.000 profissionais, incluem integrantes do SAG-AFTRA, o maior sindicato de atores do mundo, que também votam no Actors Awards. Ou seja, em grande medida, são as mesmas pessoas decidindo os dois prêmios.

Os números confirmam essa lógica. Nos últimos dez anos, 31 dos 40 vencedores do Oscar nas categorias de Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Atriz Coadjuvante também haviam vencido o Actors Award. As exceções foram:

  • 2025: Timothée Chalamet venceu o Actors Awards por “Um Completo Desconhecido”, mas perdeu o Oscar para Adrien Brody por “O Brutalista”; Demi Moore ganhou o prêmio de Melhor Atriz por “A Substância”, mas perdeu o Oscar para Mikey Madison, por “Anora”;
  • 2024: Lily Gladstone venceu por “Assassinos da Lua das Flores”, mas perdeu o Oscar para Emma Stone, premiada por “Pobres Criaturas”;
  • 2021: Chadwick Boseman e Viola Davis, premiados por “A Voz Suprema do Blues”, não levaram o Oscar, que foi concedido a Anthony Hopkins por “Meu Pai” e Frances McDormand por “Nomadland”, respectivamente;
  • 2019: Glenn Close venceu por “A Esposa”, mas perdeu o Oscar para Olivia Colman, premiada por “A Favorita”. Além disso, Emily Blunt ganhou por “Um Lugar Silencioso”, porém sequer foi indicada ao Oscar;
  • 2017: Denzel Washington venceu por “Um Limite Entre Nós”, mas o Oscar foi entregue a Casey Affleck por “Manchester à Beira-Mar”;
  • 2016: Idris Elba foi premiado por “Beasts of No Nation”, mas não recebeu indicação ao Oscar.

O Actors Awards funciona, portanto, quase como uma “prévia” do Oscar, pois sua conquista aumenta a visibilidade de um candidato e impulsiona o interesse do público pelo filme, o que pode convencer os estúdios a investir mais em campanhas promocionais para o ator ou a produção.

Neste ano, porém, a premiação também chamou atenção por uma ausência significativa: nenhum título estrangeiro foi indicado em qualquer categoria. Nomes como Wagner Moura, indicado ao Oscar de Melhor Ator por “O Agente Secreto”, ficaram de fora — uma omissão que não passa despercebida, especialmente considerando que o ator acumula prêmios em outros circuitos, como o Círculo de Críticos de Nova York, o Globo de Ouro, e o Festival de Cannes.

Historicamente, o sindicato raramente cruza fronteiras linguísticas e culturais a menos que um filme se torne um fenômeno popular, como foi o caso de “Parasita“, em 2020. A ausência não elimina Moura da corrida ao Oscar, mas evidencia que sua força está ancorada mais nos círculos críticos e no circuito internacional do que no consenso interno da indústria americana.

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Fonte : CNN

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