Os países em desenvolvimento estão buscando a política industrial de forma mais agressiva do que as nações ricas, mas muitos deles dependem excessivamente de ferramentas contundentes, como tarifas e subsídios, que provavelmente não funcionarão, alertou o Banco Mundial em um relatório divulgado nesta terça-feira (17).
Há muito tempo os governos têm apoiado a política industrial, usando ferramentas estatais para moldar a produção ao invés de depender exclusivamente dos mercados, disse o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill.
“No ano passado, 80% dos economistas do Banco Mundial voltados a países específicos relataram que os governos de clientes buscaram orientação sobre como usar a política industrial de forma mais eficaz”, escreveu Gill no relatório sobre estratégias em 183 nações.
O relatório constatou que as economias em desenvolvimento aplicam políticas industriais mais intensamente do que os países de alta renda, com as nações de baixa renda, em média, visando 13 setores para o crescimento, mais do que o dobro dos Estados mais ricos, de acordo com os autores Ana Margarida Fernandes e Tristan Reed.
O relatório surge em um momento em que as tensões comerciais globais aumentam, com governos dos Estados Unidos à China usando cada vez mais medidas protecionistas para proteger setores estratégicos, alimentando debates sobre a melhor forma de promover empregos, exportações e desenvolvimento econômico.
Isso também marca uma reviravolta na posição do Banco Mundial, formulada há cerca de 30 anos, que dizia aos governos que a política industrial geralmente era um “fracasso dispendioso”, disse Gill.
No entanto, ele ressaltou que, embora a política industrial possa ser uma ferramenta viável, a implementação geralmente falha.
“Os governos geralmente recorrem a instrumentos pouco precisos, optando por tarifas contundentes e subsídios abrangentes ao invés da precisão de parques industriais e programas de desenvolvimento de competências”, argumentou ele.
As economias de baixa renda impõem as taxas tarifárias médias mais altas sobre as importações, 12%, em comparação com 5% nos países de alta renda, de acordo com o relatório. Embora as tarifas possam proteger os novos setores em mercados com forte capacidade estatal e flexibilidade fiscal, muitos Estados mais pobres não têm recursos para absorver os custos associados.
“Todos os países estariam em melhor situação com uma abordagem mais pragmática e precisa”, destacou Gill.
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Fonte : CNN