A Syngenta prepara o lançamento de dois novos herbicidas no Brasil em 2026 e reforça que o país segue como prioridade estratégica global diante do peso da agricultura brasileira na produção de alimentos.
Segundo o diretor de portfólio de produtos de proteção de cultivos da companhia, Leandro Bessa, o segmento de herbicidas tem recebido pouca inovação nos últimos anos, cenário que a empresa pretende mudar com tecnologias voltadas ao controle de plantas daninhas resistentes.
“Estamos lançando duas tecnologias e uma delas é disruptiva . Ela controla plantas daninhas resistentes. Não existe nada no mercado que controle isso. É um segmento que inovou muito pouco nos últimos anos e estamos trazendo uma solução importante para o agricultor brasileiro”, disse ao CNN Agro.
A aposta faz parte de um ciclo recente de inovação. Desde 2022, a empresa vem ampliando o portfólio com fungicidas, inseticidas e soluções para tratamento de sementes. No Show Rural Coopavel, que ocorre nesta semana em Cascavel (PR), a companhia destacou ainda o inseticida Verdavis e uma nova tecnologia para tratamento de sementes voltada ao controle de nematoides e doenças.
Bessa afirmou que a multinacional investe globalmente US$ 1,4 bilhão por ano em pesquisa e desenvolvimento e que, nos últimos cinco anos, passou a priorizar tecnologias desenhadas especificamente para o agricultor brasileiro.
“O Brasil para a Syngenta é prioridade número um, dois e três, porque temos aqui a agricultura que mais cresce e mais pujante. A partir dessa decisão, começamos a desenvolver tecnologias específicas para as dores do agricultor brasileiro e para os desafios de uma agricultura tropical”, frisou.
Margens apertadas mudam comportamento do produtor
Apesar de uma safra com boa perspectiva de produtividade em algumas regiões, o executivo reconhece que o produtor enfrenta desafios de rentabilidade, fator que tem alterado a dinâmica de compra no campo.
“O agricultor não está necessariamente reduzindo investimentos, mas mudando o comportamento. Muitos passam a operar mais no ‘spot’, tomando posição conforme surgem oportunidades. A principal moeda dele é a produtividade e a soja, então ele vai se protegendo e fazendo a relação de troca quando ela faz sentido”, disse.
Segundo ele, o avanço da área plantada e a pressão de pragas e doenças mantêm a necessidade de investimento em tecnologia, já que elevar a produtividade segue como um dos principais caminhos para recompor margens.
“Você não pode abrir mão da produtividade em detrimento disso, mas ao mesmo tempo precisa equilibrar custos. O desafio é trazer tecnologias efetivas que ajudem o agricultor a produzir mais e tenham um melhor retorno sobre o investimento”, destacou.
Papel estratégico
Para a companhia, o protagonismo do Brasil deve crescer em meio à reorganização das cadeias globais de alimentos.
“A agricultura brasileira terá um papel muito relevante geopoliticamente ao continuar alimentando e suprindo várias regiões do mundo. O Brasil é um dos países mais importantes do ponto de vista de produção de alimentos e de potencial para o agronegócio global”, disse.
A empresa projeta um mercado mais estável em 2026 e pretende manter o nível de investimentos, ao mesmo tempo em que adapta a operação a um produtor menos previsível nas compras.
“A gente precisa deixar nossas fábricas mais flexíveis, porque quando o agricultor toma decisão mais perto da safra o planejamento fica mais desafiador. Como somos uma empresa global, com várias plantas e fábricas, temos capacidade para atender esse novo cenário e aumentar essa flexibilidade para apoiar o produtor”, frisou.
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Fonte : CNN