A popularidade dos suplementos alimentares cresce exponencialmente, abrangendo desde multivitamínicos de uso diário até compostos termogênicos, passando por vitamina D, ferro, ômega-3 e proteínas em pó. No entanto, é crucial compreender que o rótulo de “natural” não garante a segurança do produto, e o consumo excessivo pode acarretar sérias consequências para a saúde.
A chave para um uso seguro reside no princípio da dose. Cada nutriente possui uma faixa de consumo ideal, que engloba a quantidade mínima necessária para evitar deficiências, a dose recomendada para manutenção da saúde e o limite máximo tolerável (UL). Exceder esse limite eleva o risco de efeitos adversos, tornando essencial o conhecimento da quantidade de nutrientes já obtida através da alimentação, além daquela proveniente dos suplementos.
Vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) possuem uma característica particular: a capacidade de se acumularem no organismo, especificamente no fígado e no tecido adiposo. O consumo elevado e contínuo dessas vitaminas pode desencadear uma toxicidade gradual, de caráter subagudo.
O excesso de vitamina A, por exemplo, está associado a danos hepáticos, alterações ósseas e riscos durante a gravidez. A vitamina D, em doses elevadas, pode provocar um aumento do cálcio no sangue, resultando em cálculos e lesões renais. A ingestão diária de “uma cápsula extra” pode, portanto, representar um perigo real e crescente.
O ferro, um mineral indispensável, também apresenta riscos tanto em sua deficiência quanto em seu excesso. Em crianças, a ingestão acidental de comprimidos de ferro pode levar a um envenenamento grave. Em adultos, o uso crônico e inadequado pode comprometer a saúde do fígado e do coração. Casos de intoxicação por ferro são relativamente comuns, frequentemente associados à automedicação, o que reforça a importância da prescrição médica e do controle do consumo.
Suplementos fitoterápicos, embora comercializados como naturais, podem conter substâncias tóxicas, impurezas ou serem adulterados. Alertas de órgãos reguladores já foram emitidos em relação a problemas hepáticos e cardíacos associados a esses suplementos. A ausência de prescrição médica não garante a segurança, pureza ou eficácia desses produtos.
Sinais de alerta de superdosagem podem variar conforme o nutriente, mas alguns sintomas merecem atenção imediata: náuseas e vômitos persistentes, dor abdominal intensa, tonturas, fadiga extrema, alterações neurológicas como dor de cabeça ou confusão, mudanças na urina ou sinais de problemas hepáticos (pele ou olhos amarelados). Em caso de suspeita de superdosagem e manifestação desses sintomas, é fundamental buscar atendimento médico de emergência ou contatar um centro de controle de intoxicações.
Para evitar a superdosagem, a consulta com um profissional de saúde (médico ou nutricionista) é essencial. Este profissional poderá avaliar possíveis deficiências, justificar a necessidade da suplementação, determinar a dose e duração adequadas, além de monitorar os resultados e possíveis efeitos adversos.
Antes de iniciar o uso de qualquer suplemento, é crucial verificar os rótulos, considerando a ingestão diária através da dieta, para evitar a duplicação de nutrientes (como o uso simultâneo de multivitamínicos e suplementos isolados). A escolha de marcas confiáveis, com registro ou alertas das autoridades de saúde, também é fundamental.
Em relação a “superalimentos” e produtos para emagrecimento, a atenção deve ser redobrada. Termogênicos e inibidores de apetite podem prometer resultados rápidos, mas frequentemente contêm estimulantes que podem causar arritmias, hipertensão e ansiedade, além de, em alguns casos, serem adulterados com substâncias proibidas. O emagrecimento saudável se baseia em alimentação equilibrada, atividade física e, quando necessário, acompanhamento profissional.
Grupos específicos requerem atenção redobrada no uso de suplementos, incluindo aqueles que combinam diversos produtos, crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças renais ou hepáticas. A cautela também é essencial para quem utiliza medicamentos que interagem com suplementos, como anticoagulantes e óleo de peixe ou vitamina E, combinação que aumenta o risco de sangramentos. O acompanhamento profissional é indispensável para evitar riscos.
O limite para o uso de suplementos é individual e depende do nutriente, tempo de uso e saúde de cada indivíduo. A suplementação sem orientação ou por modismo pode trazer riscos. A chave é o equilíbrio: avaliar necessidades, somar o que vem da dieta, ajustar com um profissional e monitorar sempre. Suplementos auxiliam quando usados com critério, mas em excesso podem causar danos. A regra de ouro é clara: medir antes, prescrever com critério, reavaliar depois, e, diante de qualquer sintoma, interromper o uso e buscar orientação. Prevenir é sempre melhor do que remediar.
Fonte: revistatimeline.com