Um estudo publicado na revista científica Astronomy & Astrophysics, nesta quinta-feira (12), sugere que o Sol pode não estar exatamente em seu local de origem.
De acordo com os pesquisadores, a estrela do Sistema Solar pode ter nascido em uma região mais próxima do centro da Via Láctea e migrado ao longo de bilhões de anos até a posição atual.
O material, divulgado nesta quinta-feira (12), explica que estudar a fundo apenas o Sol seria muito complexo. Por isso, a pesquisa se baseou nos chamados “gêmeos solares”, estrelas semelhantes ao Sol que apresentam características parecidas, como temperatura, composição química, massa e metalicidade.
Os pesquisadores identificaram 6.594 gêmeos solares localizados a até aproximadamente 980 anos-luz da Terra. A análise foi feita com dados da missão espacial Gaia, da Agência Espacial Europeia. Ao estudar a idade e a composição química dessas estrelas, os cientistas buscaram reconstruir a história da formação estelar no disco da Via Láctea.
Durante a análise, os cientistas observaram uma distinção de idades entre esses gêmeos solares, divididos em dois grupos. Foram apontados um mais jovem, com cerca de 2 bilhões de anos, e outro mais antigo, com origem entre 4 e 6 bilhões de anos, mesma idade estimada do Sol, de aproximadamente 4,6 bilhões de anos.
Com base nesses elementos, os especialistas acreditam que a migração radial de longa distância do Sol é compartilhada por muitas estrelas do disco interno. A hipótese levantada sugere possível relação com a época de formação da barra, que teria desencadeado formação estelar intensa no disco interno e induzido uma migração eficaz.
A evolução orbital dos gêmeos solares teria ocorrido, principalmente, pela difusão do momento angular e não pelo aquecimento radial, como assumido.
Para os pesquisadores, o Sol teria feito parte desse processo e viajado milhares de anos-luz ao longo de bilhões de anos, acompanhando o movimento de outras estrelas semelhantes que também migraram do interior da galáxia.
“Nesse contexto, o Sol teria migrado naturalmente como um membro de um grande grupo de estrelas comigratórias”, concluem.
*Sob supervisão de Tonny Aranha
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Fonte : CNN