Entre matches, conversas rápidas, relações flexíveis e novos arranjos amorosos, cada indivíduo é levado a encarar seu próprio repertório emocional. A expansão dos aplicativos de namoro, o crescimento dos relacionamentos abertos e a flexibilização das estruturas afetivas podem obrigar os indivíduos a investigar o próprio modo de se relacionar.
Para o astrólogo Gabu Camacho, a facilidade em encontrar pessoas na era digital tornou visível algo que antes ficava encoberto: “Os aplicativos colocam todo mundo em exposição. É como se cada pessoa mostrasse uma versão sua ao mundo. O desafio é descobrir o que dessa versão é real e o que é só uma proteção, afinal, a gente escolhe só as partes que mais brilham para se expor, em qualquer que seja o local.”
Quando a astrologia encontra o algoritmo
Se antes os encontros aconteciam quase sempre por acaso, hoje o destino divide espaço com filtros, interesses e fotos cuidadosamente selecionadas. Nesse cenário, a astrologia ganha relevância como ferramenta para interpretar o que acontece por trás das interações.
Gabu explica à CNN que o mapa astral não funciona como previsão de compatibilidade, mas como leitura das tendências emocionais que emergem quando o campo afetivo é acionado. “O amor mexe em regiões profundas. Cada signo reage de um jeito quando se sente vulnerável. É isso que aparece nos encontros, nos matches, nos ghostings e nas conversas que não evoluem.”
Os aplicativos podem amplificar essa dinâmica: oferecem infinitas possibilidades, mas também estimulam comparações, pressa e uma necessidade permanente de causar boa impressão. Perfis viram vitrines e versões editadas que buscam atrair, mas nem sempre traduzem o que a pessoa realmente sente ou deseja.
Essa fricção fica evidente nos comportamentos ligados aos elementos. “Pessoas de ar (Libra, Aquário e Gêmeos) se adaptam rápido aos apps, sabem conversar e gostam de variar assuntos. Mas podem criar uma distância quando começam a sentir algo real. Já pessoas de água (Câncer, Escorpião e Peixes) buscam profundidade desde o início, só que às vezes se frustram porque o imediatismo do aplicativo não acompanha essa profundidade”, comenta.
Relações abertas
Para alguns signos, experimentar novos formatos é libertador. Para outros, pode despertar mais ansiedade do que prazer. O problema, segundo o astrólogo, não está no modelo, mas na falta de clareza sobre o que se busca.
“O problema não é o modelo de relação ou como se organiza o desejo afetivo. O problema é quando a pessoa entra no modelo sem saber o que está buscando. Tem signo que se abre para não perder alguém. Tem signo que se abre porque realmente precisa de mais movimento. O dilema está nesse descompasso”, disse ele.
As reações também variam conforme o elemento predominante:
- Fogo tende a ver a abertura como possibilidade de expansão, mas pode esbarrar na dificuldade de manter pactos estáveis.
- Terra costuma prezar por segurança e só considera novos formatos quando há confiança concreta.
- Ar abraça a liberdade com facilidade, mas pode racionalizar tanto que perde contato com o próprio sentir.
- Água pode se abrir, desde que exista um vínculo emocional sólido. Sem isso, absorve inseguranças que não consegue nomear.
O amor como espelho e a astrologia como “lanterninha”
Para Gabu, o maior desafio do amor contemporâneo não está nos aplicativos nem nos modelos de relacionamento, mas na disposição de cada pessoa de encarar o que surge dentro de si quando se envolve com alguém.
“Relacionamentos, quaisquer que sejam, fazem com que cada pessoa se depare com partes de si que preferiria manter escondidas. Ele é um espelho que faz a gente evoluir melhor que qualquer prática. O ciúme que não foi cuidado, a insegurança que ficou adormecida, a necessidade de controle, tudo isso aparece”, diz.
Nesse contexto, a astrologia funciona como uma ferramenta para ampliar consciência e não para determinar rotas. “O signo não diz se você combina com relacionamento aberto ou fechado. Mas diz onde você tende a se desequilibrar. Se você conhece esse ponto, já entra em qualquer relação com mais clareza. O amor moderno cobra essa consciência. Está tudo bem ter apenas uma relação casual, desde que seus termos sejam o que você busca e se identifica”, finaliza.
https://www.cnnbrasil.com.br/lifestyle/2026-regido-por-marte-o-que-esperar-desse-ano-segundo-a-astrologia/
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Fonte : CNN