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A Semana de Moda de Milão chegou ao fim na última segunda-feira (2), apresentando uma série de novidades da temporada outono/inverno, além de evidenciar um momento importante na transformação da moda na indústria.

Com exclusividade à CNN Brasil, a curadora de moda e comunicadora Fabiana Mazzer, faz um overview de tudo o que rolou na capital italiana ao longo dos dias, destrincha o que viu nos desfiles e analisa as movimentações nas grandes casas.

 

Dança das cadeiras e novos diretores

Três estreias marcaram a semana e movimentaram o universo da moda: Maria Grazia Chiuri na Fendi, Demna na Gucci e Meryll Rogge na Marni.

Diante da chegada desses novos diretores criativos e um cenário econômico global mais instável, as passarelas refletiram um mercado mais cauteloso e um consumidor mais crítico, que preza cada vez mais por qualidade e não quantidade.

As trocas deixaram de ser apenas gestos criativos e passaram a operar como decisões estruturais, capazes de redefinir posicionamento de mercado, público-alvo e, principalmente, a tradução contemporânea dos códigos históricos de cada marca.

Milão apresentou coleções com foco renovado no produto, buscando equilibrar estética e significado, com ênfase na durabilidade e em um conceito de luxo mais consciente e atemporal.

Alfaiataria revisitada e novas composições

Nos desfiles, pudemos ver o domínio da alfaiataria, com ombros marcados, cintura levemente deslocada, casacos amplos e proporções que abraçam o corpo trazendo conforto de uma forma estética e visualmente elegante.

Essas peças mais atemporais respondem diretamente ao momento econômico atual. As roupas passam a ser encaradas como investimento, e o consumidor tende a priorizar a adaptabilidade, já que as modelagens funcionam tanto dentro quanto fora do escritório, em composições mais descomplicadas.

Camadas, sobreposições e styling

Camadas e sobreposições foram outro ponto que vieram à tona nesta temporada. Na Prada, o recurso apareceu como parte central da narrativa: com um casting mais enxuto, a marca apresentou looks pensados para transitar entre diferentes ocasiões.

Já a Boss apostou em truques de styling aplicados à alfaiataria, combinando proporções, texturas e sobreposições inesperadas para criar composições contemporâneas e menos óbvias, um reflexo direto da busca por funcionalidade.

Revisão de códigos e tradicionalismos

As marcas estão revisitando códigos e trazendo a identidade delas de forma cada vez mais forte. Não é exclusivo dessa temporada, mas podemos ver que as casas estão olhando cada vez mais para os próprios arquivos, revisando códigos básicos, silhuetas históricas e reforçando a narrativa das peças.

Essa revisão faz com que as casas fortaleçam sua narrativa, reafirmando posicionamento em um momento em que consistência e reconhecimento de marca se tornam diferenciais competitivos.

Paleta de permanência: Tons terrosos

A paleta terrosa com o marrom mais profundo, o bordô, o cinza e o bege mais quente seguem em alta acompanhados dos tons neutros clássicos, como preto e branco, que continuam como base essencial, equilibrando a cartela e reforçando sua versatilidade.

O resultado é uma paleta de baixa saturação e alta durabilidade estética, que reforça a versatilidade das peças e dialoga diretamente com a busca por um guarda-roupa mais consciente e perene.

Quiet Luxury e feminilidade

Para finalizar, também vimos na passarela a renovação da narrativa do quiet luxury ou luxo silencioso com construções impecáveis considerando o acabamento e as texturas, reinterpretando as peças mais básicas.

Atrelado a isso, temos também uma feminilidade que surge de forma menos delicada e mais sensual. A Gucci mostrou muito isso. É uma sensualidade menos óbvia que mostra uma mulher mais segura do seu próprio espaço na moda.

E mais: 10 brasileiras que estão roubando a cena na temporada de moda internacional

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Fonte : CNN

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