A Latam Airlines Brasil prevê a compra de 41 novas aeronaves neste ano, mas ainda não definiu quais rotas receberão os aviões. O CEO da empresa, Jerome Cadier, afirma que a decisão depende da viabilidade operacional dos aeroportos e das condições tributárias nos estados, especialmente relacionadas ao ICMS.
A expectativa é que a entrega desses aviões seja gradual, conforme detalhado por Cadier nesta terça-feira (03) durante a apresentação dos resultados financeiros do último trimestre de 2025. As primeiras 12 aeronaves, que serão do modelo E2 da Embraer, começam a operar no final de 2026. O anúncio de compra foi feito em outubro do ano passado.
Além dessas aeronaves, a companhia espera receber três novos Boeing 787 ao longo do ano, modelo utilizado em voos de longo alcance, reforçando a estratégia de expansão internacional. A frota também seguirá com aeronaves da família Airbus A320, base da operação doméstica da empresa e que opera em voos internacionais de curta distância.
Segundo Cadier, a definição dos destinos ainda está em análise. “A gente ainda não fechou as rotas. Estamos trabalhando na lista de destinos que gostaríamos de voar. Estamos em conversa com os estados para entender os aeroportos que acomodam a operação e também o ICMS”, afirmou.
Porém, ele explicou que neste ano não há previsão de novos destinos internacionais, “a capacidade está praticamente tomada”. Como anunciou a CNN Money, a Latam vai ampliar a oferta de voos saindo de São Paulo para a Europa em abril deste ano.
Fnac em discussão
A expansão da frota ocorre em meio às discussões sobre o uso do Fnac (Fundo Nacional de Aviação Civil) para financiamento de aeronaves. O CEO da Latam avalia a iniciativa como positiva, mas ressalta que o desenho do modelo ainda enfrenta desafios.
Para Cadier, o debate sobre o uso do fundo precisa considerar as diferentes realidades das empresas aéreas que operam no país. “O Fnac não pode alterar a dinâmica competitiva do setor (…). São três companhias com necessidades diferentes. Um único modelo pode não ser atrativo para todas”, disse.
Em dezembro do ano passado, o Ministério de Portos e Aeroportos e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) assinaram o contrato para liberação de R$ 4 bilhões do Fnac para o financiamento das aéreas.
No entanto, as empresas criticam o modelo e as exigências adotadas para o acesso ao financiamento e defendem ajustes. Essas mudanças estão em discussão e o CEO da Latam disse ser possível chegar a um acordo até o meio deste ano.
Estabilidade regulatória
Durante a apresentação dos resultados, o CEO da empresa disse acompanhar com expectativa a definição de pontos sensíveis da reforma tributária que ainda geram incertezas para o setor aéreo.
Outro tema considerado central para a empresa, no que diz respeito à estabilidade regulatória, é a votação do projeto que trata da cobrança de bagagem. O mercado, com o apoio do governo, fala sobre a necessidade de realizar o pagamento no despacho de bagagens, em conformidade com o mercado internacional.
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Fonte : CNN