wp-header-logo-2684.png

A taxa básica de juros brasileira em 15% está exercendo forte pressão sobre as empresas e aumentando o risco de inadimplência no sistema financeiro, segundo Alexandre Riccio, CEO do Inter no Brasil.

Em entrevista exclusiva ao CNN Money, o executivo comentou sobre os impactos da atual política monetária e como a instituição está se preparando para os próximos meses.

Riccio afirmou que o banco compartilha da visão do Banco Central sobre a trajetória dos juros, prevendo cortes a partir da próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) e uma taxa em torno de 12,5% até o final do ano.

No entanto, ele alertou que a manutenção de taxas elevadas por tanto tempo já começa a mostrar efeitos negativos no setor empresarial.

Estratégia contra inadimplência

Para enfrentar esse cenário desafiador, o Inter adota uma abordagem considerada mais conservadora.

“A gente tem uma carteira que é dois terços colateralizada e um terço só sem colateral, e isso faz com que seja uma carteira mais resiliente”, explicou Riccio. Segundo ele, essa estrutura permite que o banco seja menos afetado pelos ciclos de inadimplência.

A parte não colateralizada da carteira, composta principalmente por cartões de crédito, recebe atenção especial com diversas iniciativas de cobrança.

Apesar de ter registrado um pequeno aumento nos indicadores de atrasos acima de 90 dias no último trimestre, o CEO se mostra confiante na capacidade da instituição de administrar os riscos.

Crescimento sustentável

Questionado sobre a possibilidade de reduzir o ritmo de crescimento para manter a qualidade da carteira, Riccio foi enfático: “A gente não vê o nosso crescimento como um causador de inadimplência”.

Ele explicou que a expansão do banco não está baseada em aumento do apetite a risco, mas sim em uma estratégia mais seletiva de aprovação de crédito.

“Nós hoje temos uma estratégia que é mais seletiva. O que significa isso na prática? Um percentual de aprovação de novos clientes para os produtos de crédito menor”, detalhou o executivo. Segundo ele, essa abordagem permite controlar melhor a inadimplência mesmo em um cenário de crescimento.

O CEO destacou ainda que o modelo de negócios do Inter se baseia em uma equação que considera a receita de crédito, o custo de captação e a inadimplência para alcançar a rentabilidade desejada.

Nos últimos 12 trimestres consecutivos, o banco tem conseguido aumentar sua margem financeira após o custo de risco em aproximadamente 0,2% a 0,3% por trimestre.

source
Fonte : CNN

Destaques Informa+

Relacionadas

Menu