O artista porto-riquenho Bad Bunny agitou uma multidão em um Allianz Parque lotado, em São Paulo, nesta sexta-feira (20), no seu primeiro show no Brasil. Após a apresentação, fãs de reggaeton se reuniram em uma “after party”.
No palco do Allianz, Benito cantou sucessos como “Tití Me Preguntó”, “BAILE INoLVIDABLE” e, claro, o hit viral “Debí Tirar Más Fotos”. Mas, engana-se quem acredita que a curtição acabou assim que o astro finalizou a apresentação com “Eoo”.
A pouco menos de 2 km do estádio, fãs porto-riquenho aproveitaram uma festa, com direito a participação do DJ oficial do Bad Bunny, o DJ Orma, e muitos sucessos do artista que se apresentou no último Super Bowl.
O “after” foi organizado pela ¡SÚBETE!, uma festa criada em 2019 e que é especializada em ritmos latinos. Nos dois dias de evento pós-show, a organização espera reunir, ao todo, entre 8 mil e 9 mil pessoas — estrangeiros de outros países sul-americanos, onde o reggaeton é bem forte, mas também brasileiros de várias partes do país.
“Eu ainda estou digerindo todo esse ‘Efeito Bad Bunny’. Hoje, por exemplo, tinha muita gente de fora do Brasil mandando mensagem querendo comprar ingresso. A gente sente que teve essa migração tanto de fora de São Paulo quanto de fora do Brasil, o que prova que São Paulo é um polo cultural gigante, um polo turístico gigante, que tem potencial para ter grandes shows e grandes eventos de reggaeton”, diz Rafael Takano, DJ e criador da ¡SÚBETE!.
Em 2025, Bad Bunny foi o artista mais ouvido no mundo, de acordo com o Spotify. No entanto, o porto-riquenho que ganhou o Grammy em 2026 demorou para furar a bolha no Brasil, onde enfrenta a concorrência de estilos consolidados como pagode, sertanejo e funk.
Para DJs e nomes da cena, a passagem de Benito pelo país representa um ponto de virada para o gênero latino.
“É um marco no desenvolvimento do reggaeton no Brasil. Acho que existe um antes e um depois desse show”, diz o DJ Fatah, que trabalha com ritmos latinos há quase 10 anos. Segundo ele, ver um estádio lotado cantando não apenas os hits recentes, mas também músicas antigas, evidencia a força do gênero no país.

O DJ destaca que, embora a música latina já estivesse presente em diferentes regiões, havia barreiras no mercado brasileiro, historicamente dominado por produções nacionais.
Segundo ele, o Brasil tem uma força cultural muito grande, o que é positivo, mas isso também fazia com que a gente olhasse menos para os nossos vizinhos. “Agora estamos começando a ouvir mais nossos irmãos da América Latina”, afirma.
Já a DJ Thaís Queiroz, que toca o que chama de “latinidades urbanas”, avalia que o momento atual reflete um avanço mais amplo da música latina no Brasil.
“O estádio lotado no show do Bad Bunny é um marco, uma conquista, uma transformação, um objetivo alcançado, na verdade. Eu acho que daqui pra frente o mercado da música latina vai olhar para o Brasil com os outros olhos”, diz Thaís.
Neste sábado (21), Bad Bunny se apresenta novamente em São Paulo, encerrando a passagem de sua turnê no Brasil.
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Fonte : CNN