A Emater/RS-Ascar (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) revisou para baixo a estimativa da safra de grãos 2025/26 no Rio Grande do Sul, que agora deve somar 32,8 milhões de toneladas, queda de 7,1% em relação à projeção inicial de 35,3 milhões de toneladas divulgada no início do ciclo.
Os dados foram apresentados nesta terça-feira (10) durante coletiva de imprensa na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS). A revisão reflete principalmente os impactos da falta e irregularidade de chuvas, além de períodos de calor intenso durante fases críticas das lavouras.
A soja, principal cultura do estado, foi a mais afetada. A produção foi revisada de 21,4 milhões para 19 milhões de toneladas, queda de 11,3% frente à estimativa inicial.
Segundo a Emater, além do clima adverso, houve redução de área plantada e dificuldades na emergência das lavouras, relacionadas a temperaturas mais baixas e umidade insuficiente no início do plantio. Problemas de acesso ao crédito também contribuíram para o recuo na produção.
“O levantamento da Emater aponta uma revisão para baixo em relação à estimativa inicial apresentada no começo da safra. A projeção era de cerca de 35 milhões de toneladas e agora a expectativa é colher quase 33 milhões”, afirmou o presidente da Emater/RS-Ascar, Claudinei Baldissera.
Segundo ele, as perdas variam bastante entre regiões e produtores.
“Há municípios com perdas muito acentuadas, superiores a 50%. Quando analisamos caso a caso, existem produtores em que os prejuízos são muito grandes e que podem até inviabilizar a colheita”, disse.
Milho vai na contramão
Nem todas as culturas tiveram revisão negativa. A estimativa para o milho grão subiu de 5,7 milhões para 5,9 milhões de toneladas, avanço de cerca de 3% em relação à projeção inicial.
O crescimento foi impulsionado principalmente pelo aumento da área cultivada, que passou de 785 mil para 803 mil hectares, além do impacto de programas estaduais de incentivo ao plantio, como o Milho 100% e o Irriga+ RS.
Já o arroz deve alcançar 7,7 milhões de toneladas, cerca de 3,1% abaixo da projeção inicial, enquanto o feijão teve redução relevante tanto na primeira quanto na segunda safra.
Clima e endividamento no campo
Autoridades estaduais afirmam que os números refletem os impactos acumulados de eventos climáticos e dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores gaúchos.
“Os dados mostram o impacto da estiagem na produção e a dificuldade que muitos produtores estão enfrentando. Por isso temos defendido uma solução mais ampla para o endividamento no campo, com a securitização das dívidas”, afirmou o vice-governador Gabriel Souza.
Segundo ele, além de resolver passivos financeiros, o estado precisa ampliar investimentos em irrigação e políticas de adaptação climática para reduzir a vulnerabilidade da produção agrícola.
A jornalista viajou a convite da Bayer
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Fonte : CNN