O Kremlin condenou nesta quarta-feira (18) o que chamou de “assassinato” de líderes iranianos em ataques aéreos dos EUA e de Israel, um dia após o Irã confirmar que o chefe do Conselho de Segurança iraniano, Ali Larijani, foi morto em Teerã.
Larijani era um conselheiro próximo do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, também morto durante a guerra.
“Condenamos inequivocamente quaisquer ações que visem prejudicar a saúde, ou mesmo assassinar ou eliminar, membros da liderança do Irã soberano e independente, bem como os de outros países. Condenamos tais ações”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, aos jornalistas quando questionado sobre a reação da Rússia à morte de Larijani.
A Rússia, que construiu e ajuda a gerir a única central nuclear do Irã, criticou fortemente os ataques aéreos de EUA e de Israel contra o território iraniano e pediu a um cessar-fogo imediato.
O Wall Street Journal, citando pessoas com conhecimento do assunto, informou na terça-feira (17) que a Rússia tem aumentado o fornecimento de dados de inteligência e a cooperação militar com Teerã, fornecendo imagens de satélite e tecnologia de drones para ajudar o Irã a atacar as forças dos EUA no Oriente Médio.
Questionado sobre a reportagem, Peskov disse que as notícias são falsas: “Como sabem, existem atualmente muitos relatos diferentes circulando sobre esta guerra. A grande maioria nada mais é do que desinformação, por isso não consideramos necessário comentar cada uma delas.”
“No entanto, representantes oficiais dos Estados Unidos fizeram declarações sobre este assunto, afirmando eles próprios não terem informações sobre isso”, acrescentou.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam terem destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.200 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos sete mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvos do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, classificando como um “grande erro”. Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã
source
Fonte : CNN