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As ruas de Teerã, capital do Irã, continuam desertas após três dias consecutivos de ataques aéreos, segundo relatou André Veras Guimarães, embaixador do Brasil no país. Em entrevista exclusiva ao Bastidores CNN desta segunda-feira (2), Guimarães descreveu um cenário de tensão permanente, com bombardeios frequentes atingindo diversas áreas da cidade.

De acordo com o embaixador, os ataques têm como alvo principalmente estruturas governamentais e militares localizadas ao sul da capital, onde se concentram instalações das forças de segurança, da Guarda Revolucionária e do governo iraniano. Áreas residenciais ao norte da cidade, onde moram líderes militares e governamentais, também têm sido atingidas.

“São momentos permanentes de tensão, porque nós nunca sabemos quando e a hora que esses ataques ocorrerão, mas eles estão ocorrendo com frequência e constância”, afirmou Guimarães. Ele destacou que a população seguiu as recomendações do governo para permanecer em casa ou deixar a capital.

Cidade normalmente vibrante está irreconhecível

O embaixador brasileiro ofereceu um contraste marcante entre a Teerã atual e a cidade em tempos normais. “Teerã é uma cidade muito grande, quase do tamanho da cidade de São Paulo. É uma cidade vibrante, as pessoas são muito simpáticas, gostam de estar na rua, sair para comer, ir para os parques, fazer piqueniques com as famílias”, descreveu.

Antes dos ataques, as calçadas permaneciam cheias de pedestres e as ruas congestionadas de veículos, já que “a gasolina é muito barata, então todos praticamente têm carro”. Agora, porém, o cenário é completamente diferente, com vias vazias tanto de pessoas quanto de automóveis.

Situação de risco e falta de abrigos seguros

Guimarães alertou para os riscos enfrentados pelos moradores que permaneceram na cidade. Segundo ele, mesmo quando os mísseis atingem seus alvos previstos, os edifícios próximos sofrem com o impacto das explosões e o deslocamento de ar, que pode estilhaçar vidraças mesmo a distância considerável.

“É um pouco loteria, não há como se proteger”, disse o embaixador, explicando que a maioria dos prédios não possui estruturas de proteção. “Os prédios aqui não têm estrutura de proteção das famílias. A única proteção que poderia ser utilizada são as estações de metrô, mas como não há um sistema de alarmes, de sirenes, a gente só sabe dos ataques quando eles acontecem”, relatou.

O embaixador também mencionou que a representação diplomática brasileira mantém contato permanente com o Itamaraty e oferece assistência aos aproximadamente 200 brasileiros que vivem no Irã, muitos deles já estabelecidos no país há anos com suas famílias. Um sistema de plantão telefônico foi implementado para atender às necessidades da comunidade brasileira, apesar das dificuldades de comunicação causadas pela instabilidade nos serviços de internet e telefonia.

Quanto ao futuro político do país após os ataques, Guimarães demonstrou incerteza: “Nós não sabemos até quando serão realizados os ataques e quanto dessa estrutura eles conseguirão destruir. Há uma apreensão e um medo muito grande quanto ao futuro”.

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Fonte : CNN

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