O ex-ministro da agricultura e embaixador da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) Roberto Rodrigues destacou a importância do seguro rural para garantir a estabilidade financeira do agronegócio brasileiro em entrevista ao CNN Agro News na manhã desta terça-feira (10).”O seguro rural é a base de um processo de estabilização da renda”, disse à CNN
Para 2026, Rodrigues apontou a renda como principal problema do setor. “Os custos estão muito altos, taxa de juros insuportável, 20% ao ano. Os preços estão muito baixos porque as ofertas mundiais cresceram. Você tem custo alto, preço baixo, uma situação gravíssima de sustentabilidade econômica”, alertou. Como solução, ele defendeu o seguro rural.
O ex-minstro destacou que que, apesar dos esforços para criar o seguro rural, ainda não houve avanços significativos: “ainda hoje não tem nem 7% da agricultura brasileira segurada, porque o governo não faz a parte dele”. Ele concluiu defendendo “uma ação consistente de governo para que o seguro rural funcione”.
Crescimento econômico
Durante a entrevista, Rodrigues destacou o expressivo crescimento das exportações do agronegócio brasileiro nas últimas décadas. “No ano 2000, o agronegócio brasileiro exportou 20 bilhões de dólares. No ano passado, 170 bilhões de dólares. É uma coisa fantástica, esse crescimento é o único no planeta em tão pouco tempo”, afirmou.
Segundo ele, esse avanço foi possível graças ao desenvolvimento de tecnologia tropical própria, principalmente a partir dos anos 1980, quando o Brasil ainda importava 30% dos alimentos que consumia. “A Embrapa virou essa chave para o tropical e desde aí nós fizemos um processo muito mais interessante, inclusive de sustentabilidade”, explicou.
Protecionismo e barreiras comerciais
Rodrigues apontou o crescente protecionismo global como um desafio para o setor. “As ações que acontecem no mundo desenvolvido, há um recrudescimento do protecionismo. O próprio acordo da União Europeia e Mercosul não saiu até hoje por causa disso”, comentou.
O especialista explicou que as tarifas aumentam conforme se agrega valor aos produtos. “Se você exporta café em grão, não tem tarifa para a Europa. Mas se você exportar o café torrado e moído ou solúvel, tem. Isso acontece para proteger a indústria europeia da competição conosco”, exemplificou.
Questões ambientais e imagem internacional
Para o ex-ministro, não se deve culpar o agricultor pelos crimes ambientais . “Há desmatamento ilegal, infelizmente. Assim como invasão de terra, garimpo clandestino, incêndios criminosos. Mas o agricultor não vai desmatar ilegalmente porque ele vai para a cadeia”, afirmou.
Ele ressaltou que o concorrente internacional “abusa do desconhecimento da população” ao atribuir ilegalidades ao agricultor brasileiro. Para Rodrigues, a solução é clara: “Acabar com o que é ilegal. O que é crime tem que ser eliminado”.
O entrevistado apresentou números para demonstrar a sustentabilidade da agricultura brasileira e o avanço da tecnologia no setor: “Nos últimos 35 anos, a área plantada com grãos no Brasil cresceu 120%, e a produção cresceu 540%. Hoje plantamos 60 milhões de hectares. Se tivéssemos a produtividade que temos hoje, em 1990, precisaríamos de mais 125 milhões de hectares. Ou seja, nós preservamos 125 milhões de hectares”.
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Fonte : CNN