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Uma inovação tecnológica desenvolvida no Brasil pode transformar a forma como a qualidade da carne bovina é medida e apresentada ao consumidor. Trata-se de um equipamento baseado em ressonância magnética que permite identificar, de forma rápida e não destrutiva, o nível de maciez da carne, um dos atributos mais valorizados pelo mercado, em apenas 12 segundos.

Batizado de SpecFit Meat, o equipamento foi desenvolvido ao longo de cinco anos pela startup Fine Instrument Technology (FIT) . A tecnologia utiliza princípios semelhantes aos exames médicos de ressonância magnética, mas, em vez de gerar imagens, capta sinais que são convertidos em indicadores objetivos de maciez. 

Até então, os métodos disponíveis para medir esse atributo exigiam o cozimento e o corte da carne, o que inviabilizava sua aplicação em produtos destinados à venda. Com a nova solução, a análise pode ser feita diretamente na peça, inclusive já embalada, permitindo que a informação chegue ao consumidor final. 

A tecnologia surge como uma ferramenta estratégica para o mercado brasileiro, como por exemplo para a pecuária zebuína. “Será possível identificar e certificar as carnes zebuínas macias, desmistificando a ideia de que esses animais produzem apenas carne rígida”, destaca a Dra. Fabiane Costa, pesquisadora da FIT. “Os frigoríficos poderão diferenciar seus produtos e agregar valor real ao consumidor final.”

A proposta atende a uma demanda histórica do setor. Hoje, a escolha por carnes mais macias ainda é baseada em critérios indiretos, como raça, idade do animal ou processos como a maturação. Com a nova tecnologia, a indústria passa a ter uma métrica objetiva, capaz de certificar o produto e reduzir a subjetividade na hora da compra. 

Segmentação de produtos 

Além de oferecer mais transparência ao consumidor, o equipamento abre novas possibilidades para os frigoríficos. A partir da identificação precisa da maciez, será possível segmentar melhor os produtos, direcionando cortes mais macios para linhas premium e mercados de maior valor agregado. 

Outro impacto relevante está na eficiência operacional. O processo de maturação, utilizado para melhorar a maciez da carne, pode levar até 28 dias em câmaras frias. Com a nova tecnologia, a indústria poderá identificar previamente quais cortes já atingiram o nível desejado, reduzindo o tempo de armazenagem, o consumo de energia e, consequentemente, os custos e o impacto ambiental. 

Apesar do potencial, a tecnologia ainda está em fase inicial de inserção no mercado. O equipamento foi recentemente finalizado e começa agora a ser apresentado às indústrias frigoríficas. A expectativa é que, no futuro, as informações sobre maciez cheguem ao consumidor por meio de selos ou classificações nas embalagens. “Cada indústria poderá definir seus próprios padrões, criando categorias que traduzam os dados técnicos em uma linguagem mais acessível ao público”, afirma a pesquisadora.

Equipe multidisciplinar

O investimento no desenvolvimento do equipamento superou R$ 3 milhões e contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). “As pesquisas envolveram uma equipe multidisciplinar, com engenheiros, físicos, químicos e especialistas em produção animal”, diz. 

Embora o foco inicial seja a carne bovina, segmento onde há maior variabilidade de maciez, especialmente no rebanho brasileiro, a tecnologia também pode ser aplicada a outros tipos de proteína, como suína e de frango. 

A FIT já atua com soluções baseadas em ressonância magnética em mais de 20 países e quatro continentes, com aplicações que vão da indústria de alimentos à produção têxtil, reforçando o potencial da tecnologia no agronegócio. 

Com a promessa de mais precisão, eficiência e transparência, a inovação pode marcar um novo capítulo na cadeia da carne, aproximando indústria e consumidor por meio de dados concretos sobre qualidade. 

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Fonte : CNN

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