O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou em entrevista a jornalistas nesta quinta-feira (11) que trabalhará por uma transição “rápida” na administração da Fernão Dias. Após leilão realizado na B3 em São Paulo, a Arteris deixa a gestão da estrada e entra a Motiva (ex-CCR).
“A transição tem que ser o mais rápida possível. Quem vai sair não tem incentivo. É como quando o cidadão comum vai entregar um imóvel que alugou: ele não vai fazer uma reforma. A gente vai combinar com a Arteris a saída, fazer isso o mais rápido possível e exigir a integralidade dos compromissos”, disse.
No certame, a Motiva levou o ativo ao oferecer um desconto de pedágio maior do que a Arteris, de 17,05%. Segundo Renan Filho, a tarifa ao usuário ficará em R$ 3,60 no primeiro ano — sendo que hoje o valor é de R$ 3.
O leilão foi marcante para o setor, visto que pela primeira vez uma otimização contratual teve concorrência e troca de gestão.
Nos leilões de otimização contratual, o governo federal oferece ao mercado um contrato previamente repactuado com a atual concessionária da rodovia — no caso, a Arteris.
Tratam-se de concessões antigas, que passaram por dificuldades e precisaram ter seus termos renegociados no âmbito da Secex Consenso, a secretaria de soluções consensuais e prevenção de conflitos do TCU (Tribunal de Contas da União).
Depois da repactuação, a rodovia é leiloada em um processo simplificado. Se alguém oferecer tarifas de pedágio mais baixas do que a atual operadora, leva a concessão.
Os outros três leilões do tipo já realizados pelo Ministério dos Transportes e pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) não tiveram nenhuma concorrência.
Os contratos repactuados acabaram ficando nas mãos das próprias concessionárias atuais: a Ecorodovias na BR-101/ES; a Motiva na BR-163/MS; e a Arteris no caso da Autopista Fluminense (BR-101/RJ).
Investimentos na Fernão
A Motiva administrará o ativo por 15 anos e investirá R$ 14,8 bilhões na operação, modernização e ampliação da rodovia.
O grupo disputou o certame com a EPR e a Arteris (controlada pela espanhola Abertis e pelo fundo canadense Brookfield), que atualmente administra a rodovia.
A Fernão Dias é um trecho federal estratégico de 569 quilômetros, que liga os polos econômicos de Minas Gerais e São Paulo, atendendo cerca de 250 mil veículos por dia e aproximadamente 16,6 milhões de habitantes em 33 municípios.
Entre as melhorias contratadas estão 108 km de faixas adicionais, 14 km de vias marginais, 62 melhorias de acesso, 29 passarelas, novos túneis e passagens de fauna, pontos de parada e descanso, entre outras intervenções.
Este foi o último leilão rodoviário do ano, totalizando 13 concessões em 2025. Até aqui no governo atual, 22 projetos foram contratados pela iniciativa privada. Até o final de 2026, a expectativa do Ministério dos Transportes é atingir 35 ativos da carteira de infraestrutura terrestre.
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Fonte : CNN