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Os depoimentos de policiais militares que atenderam a ocorrência envolvendo a morte da soldado Gisele Alves Santana colocam em dúvida a versão apresentada pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto. Ela foi encontrada sem vida em seu apartamento no Brás, região central de São Paulo, em 18 de fevereiro.

O 1º tenente Guilherme Adriano Lucas, responsável pela primeira equipe a chegar, descreveu o ambiente como “mais preservado que o habitual” para esse tipo de ocorrência. Ele destacou que, apesar de o oficial afirmar que havia saído do banho momentos antes, tanto ele quanto a vítima estavam secos.

A observação foi reforçada pelo cabo Adalberto Fernandes Lima, que vistoriou o banheiro citado pelo tenente-coronel e afirmou que o local estava seco e sem indícios recentes de uso.

Outro ponto que chamou atenção foi a ausência de sangue no corpo e nas roupas de Geraldo. De acordo com os policiais, incluindo o soldado Cícero Gecycleiton dos Santos, o oficial não apresentava sinais de ter tentado socorrer a vítima. “A pessoa geralmente tenta ajudar”, relatou o tenente Lucas a colegas, ao estranhar a situação.

Arma na mão e ausência de cartucho

O tenente Fernando Moreira de Souza classificou como “não convencional” o fato de a arma ter sido encontrada na mão da vítima. Segundo ele e outros agentes, em casos de disparo, é comum que o armamento seja projetado para longe.

Além disso, o cartucho da munição não foi localizado no ambiente, o que também levantou questionamentos entre os policiais que atuaram na ocorrência.

Tentativa de banho

Um dos momentos mais tensos relatados foi a insistência de Geraldo em tomar banho ainda na cena do crime, atitude que poderia comprometer provas, como resíduos de pólvora.

Os soldados Marcos Aurelio Pedroso e Cícero Gecycleiton dos Santos afirmaram que orientaram o oficial a não entrar no chuveiro, mas foram ignorados.

Imagens de câmera corporal do cabo Fernandes registraram o momento em que ele confronta o tenente-coronel sobre contradições no relato. Após inicialmente dizer que estava no banho, o oficial recuou e afirmou que apenas havia ligado o chuveiro.

Mesmo diante dos alertas, Geraldo teria utilizado sua patente para impor a decisão: “Eu tenho 34 anos de serviço. Eu sei o que estou falando. Eu vou tomar banho”, teria dito antes de permanecer no chuveiro por alguns minutos.

O capitão Rafael Gustavo de Aguiar, que supervisionava a ocorrência, foi acionado, mas, segundo depoimentos, não conseguiu impedir a ação, orientando apenas que o episódio fosse registrado.

Presença de desembargador

Os policiais também estranharam o fato de o oficial ter acionado o desembargador Marco Antônio Cogan para comparecer ao local.

Durante a ocorrência, o cabo Fernandes relatou ainda que o tenente-coronel afirmou que seu quarto havia sido mexido.

O policial negou qualquer alteração e destacou que toda a ação estava sendo registrada por câmeras.

Ausência no hospital e versão contestada

No Hospital das Clínicas de São Paulo, onde a morte de Gisele foi confirmada, policiais responsáveis pela escolta afirmaram que Geraldo não entrou na unidade para acompanhar o estado da esposa.

O sargento Alessandro Toledo e o soldado Lucas Garcia relataram que o oficial permaneceu do lado de fora.

O policial Fernando Adriano Lopes e a sargento Rosangela Araujo da Silva afirmaram que o tenente-coronel não apresentou qualquer sinal de mal-estar, caminhava normalmente e demonstrava tranquilidade.

Para a sargento Rosangela, o comportamento foi incomum. Segundo ela, é raro que familiares não tentem contato ou acompanhamento em situações desse tipo.

GALERIA – Leia mensagens entre tenente-coronel e Gisele

Veja na íntegra a nota da defesa:

“O escritório de advocacia MALAVASI SOCIEDADE DE ADVOGADOS, contratado para assistir o Tenente-Coronel GERALDO LEITE ROSA NETO no acompanhamento das investigações relativas ao suicídio de sua esposa, vem a público prestar esclarecimentos.

Ante o recente decreto dúplice de prisão do Tenente-Coronel pelos mesmos fatos tanto perante a Justiça Militar quanto pela Justiça Comum, a defesa encontra-se estarrecida pela manutenção da competência de ambas as jurisdições.

Informa que sabedor dos pedidos de prisão em seu desfavor desde a data do dia 17/3 não só não se ocultou, como forneceu espontaneamente comprovante de endereço perante a Justiça, local onde foi cumprido o mandado de prisão, ato ao qual, embora manifestamente ilegal pois proferido por autoridade incompetente, não se opôs, tendo mantido a postura adotada desde o início das apurações de colaboração com as autoridades competentes.

Informa, por fim, que já ajuizu Reclamação perante o STJ contra o decreto oriundo da Justiça castrense e que estuda o manejo de habeas corpus quanto à decisão da 5ª Vara do Júri da Capital.

Reitera que seguem sendo divulgadas informações e interpretações que alcançam aspectos de sua vida privada, muitas vezes por meio de conteúdos descontextualizados, ocasionando exposição indevida e repercussões que atingem sua honra e dignidade.

A intimidade, a vida privada, a honra e a imagem constituem direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal (art. 5º, X), razão pela qual a divulgação de elementos pertencentes a essas esferas encontra limites nas garantias constitucionais, sendo certo que, no momento oportuno, sua equipe jurídica irá reprochar toda e qualquer divulgação ou interpretação que venha vilipendiar tais direitos em relação ao Tenente-Coronel.

Por fim, o escritório reafirma sua confiança na atuação das autoridades responsáveis pela condução das investigações e reitera que o Tenente-Coronel aguarda a completa elucidação dos fatos.”

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Fonte : CNN

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