Um relatório da PCESP (Polícia Civil do Estado de São Paulo) apontou falhas no monitoramento de conteúdos nas plataformas digitais que flexibilizam atividades criminais contra crianças e adolescentes. O documento ainda apresenta dificuldade na interrupção rápida das condutas ilegais e na identificação dos usuários em publicações ao vivo.
Enviado à Procuradoria-Geral de Justiça do Ministério Público, o trabalho do NOAD (Núcleo de Observação Digital) permitirá que a Justiça avalie diligências necessárias para o combate ao crime virtual.
Segundo a polícia, as brechas da supervisão de conteúdos aumentam a exposição dos jovens à “violência sexual, à automutilação e à instigação ao suicídio”.
O secretário da SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo), Osvaldo Nico Gonçalves, afirma que a proteção dos jovens é realizada paralelamente aos responsáveis pelas plataformas que também devem promover iniciativas de prevenção e moderação de conteúdos.
“Estado segue atuando com inteligência para identificar criminosos, resgatar vítimas e impedir a expansão da violência online”, destaca o secretário.
Desde a sua criação, em 2024, o NOAD resgatou 359 menores de idades de riscos à própria segurança e atualmente possui 1,2 mil alvos de crimes cibernéticos.
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O NOAD é uma estrutura vinculada à Polícia Civil, Polícia Militar e peritos especializados em violência digital que monitoram o comportamento das redes. Os agentes atuam como infiltrados nas comunidades cibernéticas. Além de coletar informações para o relatório, as equipes atuam diretamente com outras unidades policiais para a realização de apreensões, resgates, mandados de busca, internações e prisões.
Crianças expostas a conteúdos indevidos
Um estudo da Unico, em parceria com a Ipsos, mostrou que cerca de 57% de jovens entre 10 e 17 anos afirmaram terem sido expostos a conteúdos inadequados para a idade. Desses, 35% tiveram contato com violência extrema, 21% pornografia ou sites de relacionamento.
Outros 30% afirmaram ter mentido idade mínima para acessar plataformas digitais. A pesquisa ainda apontou que a falta de supervisão pode triplicar o risco de exposição.
*Sob supervisão de Tonny Aranha
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Fonte : CNN