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A agência de classificação de risco Moody’s Ratings rebaixou a nota de crédito da Raízen de Caa1 para Caa3, citando o elevado nível de endividamento da companhia e a geração persistente de fluxo de caixa negativo. A perspectiva do rating permanece negativa.

A agência também reduziu a classificação de títulos seniores sem garantia no valor de US$ 187 milhões, com vencimento em 2027, emitidos pela Raizen Fuels Finance e garantidos pela Raízen e pela Raizen Energia.

O rebaixamento ocorre após o anúncio feito pela empresa em 4 de março sobre possíveis medidas para reestruturar sua estrutura de capital. Entre elas está uma injeção de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell e um aporte adicional de R$ 500 milhões do empresário Rubens Ometto, controlador da Cosan.

A empresa também indicou a possibilidade de converter parte das dívidas em participação acionária, além de alongar prazos de pagamento do restante dos débitos. Outra alternativa considerada é a abertura de um processo de reestruturação fora do ambiente judicial para negociar com credores e buscar uma solução consensual para o passivo.

Segundo a Moody’s, caso essas medidas avancem como descritas, aumenta a probabilidade de uma operação considerada equivalente a troca de dívida em situação de estresse financeiro ou até mesmo um evento similar a default, cenário compatível com a classificação Caa3.

A agência destacou que o rebaixamento reflete a deterioração dos indicadores financeiros da companhia. Entre os fatores citados estão o elevado nível de alavancagem, o peso das despesas com juros e o desempenho mais fraco do que o esperado no principal negócio da empresa, o segmento de açúcar e etanol.

De acordo com a Moody’s, a moagem abaixo do potencial e a menor diluição de custos devem continuar pressionando os resultados da companhia na safra 2025–2026. O nível atual de endividamento também limita a capacidade da empresa de gerar caixa de forma consistente.

A agência estima que a alavancagem da companhia deve encerrar o ciclo agrícola acima de 5,9 vezes, com fluxo de caixa livre ainda negativo. Na avaliação da Moody’s, a empresa precisaria melhorar seus indicadores financeiros e fortalecer a liquidez para lidar melhor com a volatilidade típica dos mercados de commodities.

A Moody’s avalia que a situação atual é consequência da estratégia adotada antes do atual ciclo de reestruturação, quando a empresa seguiu um modelo de crescimento acelerado sustentado por endividamento.

Apesar das pressões financeiras, a agência ressalta que a Raízen mantém posição relevante nos mercados de produção de cana-de-açúcar e distribuição de combustíveis no Brasil.

A companhia é uma joint venture formada pela Cosan e pela Shell. No momento, a Moody’s não considera suporte financeiro direto dos acionistas na avaliação do rating, embora reconheça que a empresa se beneficia da marca e da expertise de gestão da Shell, além do conhecimento operacional da Cosan no mercado brasileiro.

A agência também destacou que a maioria dos instrumentos de dívida da companhia conta com garantias cruzadas entre a Raízen e a Raízen Energia.

Segundo a Moody’s, um novo rebaixamento pode ocorrer caso a empresa anuncie uma troca de dívida em condições de estresse financeiro ou alguma operação semelhante a um evento de inadimplência.

Por outro lado, uma melhora na classificação de risco dependeria de uma redução significativa do endividamento sem a necessidade de reestruturação forçada, além da manutenção de liquidez adequada, melhora consistente no desempenho operacional e redução dos investimentos para permitir a retomada da geração de fluxo de caixa positivo.

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Fonte : CNN

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