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Futuro calouro de engenharia, disciplinado nos treinos, um amigo carinhoso. Esses eram apenas alguns dos traços da personalidade de Cauã Batista, promissor lutador de Taekwondo do Brasil que morreu na última quarta-feira (25), com apenas 18 anos.

Cauã estava internado há uma semana no Hospital Municipal Miguel Couto, no Rio de Janeiro, após um atropelamento. Ele disputaria a Seletiva Aberta Nacional de Taekwondo nesta quinta-feira, 26 de fevereiro.

No tatame, foi reconhecido pela CBDTK (Confederação Brasileira de Taekwondo) como “um atleta conhecido pela dedicação, pelo respeito e pela paixão ao esporte, querido por todos os que tiveram a oportunidade de acompanhá-lo dentro e fora das competições”. Fora dele, também deixou saudades.

Atleta disciplinado

O CT Soares Team, academia onde Cauã treinou desde os nove anos, divulgou uma nota de pesar após a confirmação da morte do garoto. “Foi exemplo dentro e fora do Dojang – um atleta admirável, competidor incansável e um verdadeiro lutador na vida”, diz o texto.

“Muitos acham que relação de mentor e aluno é uma via de mão única, onde só quem tem a oferecer é aquele que ensina. Cauã foi meu primeiro aluno infantil. Neguei-o muitas vezes, porque na turma só tinha adulto pesado e graduado. Como eu ia inserir uma criança de 8, 9 anos num contexto desses? E faixa branca ainda. Caos. Se acontecesse algo ali, eu seria responsável. E eu estava começando minha caminhada de professor. Tudo o que eu queria era fugir de responsabilidade grande”, escreveu o professor de Cauã, Luan Dias, nas redes sociais.

“Geralmente as crianças pedem para sair da minha aula, ele pediu para entrar. Então algo tinha ali. Apanhou muito (…) O tempo passou. Quando vi, já estava enorme, (…) sendo a maior referência de taekwondista que eu tinha em sala de aula. Autodidata nato. Aprendia sozinho vendo vídeo e aplicava na aula”, conta.

Na categoria até 63kg, ele conquistou o primeiro lugar da Copa Thokinim, em Cachoeiras de Macacu, e em 2024, ganhou o bronze no ranking Junior do Rio, para competidores até 63kg. Segundo Dias, competir na Arena Olímpica, local da Seletiva Nacional, era o maior sonho como atleta. “Irado”, era como ele resumia. Na academia, Cauã também era instrutor, responsável pela presença de um treino específico, organizar materiais, zelar pelos equipamentos. “Se ficassem zoneados, ele ficaria sem treinar luta. Então imaginem o quão chato ele era com isso”, conta o professor.

“Intenso em tudo”

Segundo relatos de familiares e amigos nas redes sociais, Cauã havia sido aprovado no vestibular de Engenharia Ambiental na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e estava prestes a começar o curso. São muitas as publicações que falam sobre sua determinação e carinho.

“Lutou muito para ficar conosco. Dias que nos deram chance de senti-lo um pouco mais, com uma infinidade de gente torcendo. Quantos amigos você tem, Cauã. Quanto amor. Quanta saudade doída”, escreveu o tio Marcelo Eloi. Após a internação, o atleta ficou internado por alguns dias. A academia e os familiares chegaram a organizar uma campanha de doação de sangue em seu nome.

Luan Dias também elogiou a dedicação do atleta. “Esse cara amava a vida como nunca vi ninguém amar. Era intenso em tudo que se propôs a fazer. Intensidade essa que desencadeou diversas brigas entre a gente. Era dedo na cara, alteração de voz (de lá e de cá). Pensa num moleque boquirroto. Mas nunca me faltou respeito e nunca me chamou pelo nome dentro do Dojang”, contou, em postagem.

“Ele fez muito mais por mim do que eu por ele. Porque, graças a ele, consegui ter oportunidade de viver grande parte da minha vida ao lado de alguém tão especial. Agora que meu casca de bala se foi, me resta organizar minha desorganização, continuar o legado e, como diria a música preferida dele, mesmo sem seu artista principal, o Show Tem Que Continuar.”

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Fonte : CNN

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