O tcheco Jiri Lehecka chega à final do Miami Open, neste domingo (29), como franco-atirador contra o italiano Jannik Sinner, número 2 do ranking da ATP que vem se mostrando praticamente imbatível nas últimas semanas.
A decisão encerra a programação do Masters 1000 de Miami, por volta das 16h (de Brasília), no Haard Rock Stadium. Caso confirme o favoritismo, Sinner conquistará um inédito Sunshine Double, assim como Sabalenka, na véspera.
Afinal, o italiano de 24 anos vem de título em Indian Wells, sem perder um único set de lá para cá, incluindo, também, toda a campanha no Miami Open. Na verdade, ele não perdeu nenhum dos últimos 32 sets que disputou em torneios Masters 1000, um recorde já histórico e que Sinner não cansa de estender.
Do outro lado, Lehecka (a pronúncia é algo como “Lerrética”), que tem a mesma idade do adversário, também vai defender uma marca importante no jogo. Ele chegou à final sem ter o saque quebrado uma única vez em todo o Miami Open, feito que não acontecia desde 2018, com Novak Djokovic.
Primeira final de Masters 1000 de Lehecka
Enquanto Sinner tenta o sétimo título de Masters 1000 na carreira, o segundo em Miami, Lehecka disputa a sua primeira final.
Ele se credenciou à decisão após atropelar o francês Arthur Fils na semifinal (duplo 6-2), tendo deixado pelo caminho, também, o norte-americano Taylor Fritz, número 7 do ranking da ATP.
Independentemente do resultado contra Sinner, Lehecka entrará no top 15 pela primeira vez na carreira, ganhando pelo menos oito posições (atualmente, ele é o 22º).
Para sair de Miami campeão como o compatriota Jakub Mensik fez no ano passado, porém, o tcheco sabe que terá que jogar ainda mais do que tem feito. Ele perdeu para Sinner nas três vezes em que o enfrentou.
“Sempre há espaço para melhoras. Eu vou ter que fazer uma boa partida, que será diferente. Terei que encarar o jogo com outra abordagem tática. Tenho que estar pronto”, disse ele na coletiva de imprensa após a semifinal, antes de saber quem seria o adversário neste domingo, já que Sinner ainda venceria Alexander Zverev no mesmo dia, mais tarde.
Infância humilde na República Tcheca e contato com o tênis
Destro que joga com backhand de duas mãos, Lehecka contou que veio de um lar humilde, mas esportivo. O pai era um nadador profissional na juventude e a mãe praticava atletismo (“mas não em alto nível”). Depois, ambos viraram professores.
“Eu vivia em uma pequena vila a 30 minutos de Praga. Tínhamos duas quadras de tênis na frente de casa e eu via meus avós jogando com minha irmã e meus pais. Como criança, eu queria fazer o mesmo que eles”, relatou o jogador de 1,85m e saque potente.
Tênis competia com outras modalidades, como esqui cross-country
“Foi assim que eu comecei a jogar. Sim, história engraçada. Mas eu praticava todos os esportes quando era pequeno. Meus pais não queriam que eu me especializasse em apenas um. Por isso, o tênis foi só um hobby até meus 14, 15 anos”, seguiu.
“Meus pais não eram ambiciosos como outros, que olham para o filho aos 9 anos e imaginam ele ganhando grand slams aos 18. Eles me incentivam a praticar esporte por ser algo saudável como estilo de vida”.
“Sim, quando penso nisso, sei que é engraçado que eu esteja sentado aqui agora, mas foi assim. Ou seja, você pode ser bem-sucedido no esporte sem ter que se especializar em uma modalidade logo cedo. Eu jogava futebol, pedalava, nadava, corria, fazia esqui cross-country, esqui alpino…”, listou Lehecka.
Após começar a levar a sério o tênis aos 15 anos, a profissionalização veio em 2020, quando o tcheco tinha 18. De lá para cá, ele conquistou dois títulos na ATP, ambos em torneios 250 australianos: Adelaide 2024 e Brisbane 2025. Agora, terá o maior desafio da carreira disputando um título de Masters 1000.
* Luccas Oliveira viajou a convite do Itaú Unibanco
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Fonte : CNN