Produtores de manga e uva do Vale do São Francisco demonstram otimismo com a possibilidade de redução das tarifas americanas sobre frutas brasileiras. A medida é considerada estratégica para o setor exportador da região, que tem nos Estados Unidos um dos mercados mais importantes em volume e, principalmente, em valor pago pelas mercadorias.
Segundo Jailson Lira, presidente do Sindicato de Produtores Rurais de Petrolina, o mercado norte-americano responde por cerca de 25% das exportações de uva da região, cerca de 14 mil toneladas, e se destaca por pagar valores superiores aos de outros compradores como Europa e Reino Unido. A expectativa é de que uma eventual queda ou revisão das tarifas permita a retomada de embarques em níveis mais próximos dos registrados em anos anteriores.
A manga, fruta também bastante exportada, com embarques em torno de 37 mil toneladas, já teve a tarifa zerada no final de novembro de 2025, o que trouxe alívio parcial ao setor. A uva, no entanto, segue com taxação, o que ainda limita a competitividade do produto brasileiro no mercado americano.
Impacto das tarifas
Na última safra, as tarifas afetaram diretamente o desempenho das exportações e pressionaram os preços para baixo. Com as restrições, explica Lira, produtores precisaram redirecionar grandes volumes de frutas para outros mercados, como Europa, Reino Unido, Argentina e também para o mercado interno.
Com isso, a oferta nesses destinos ficou acima do normal, provocando queda nos preços. Em 2025 volume exportado para os Estados Unidos chegou a apenas 38% do que era embarcado em anos anteriores.
Além disso, algumas variedades de manga e uva que são cultivadas especificamente para atender ao padrão e à demanda do consumidor americano, perderam valor e enfrentaram maior dificuldade de comercialização.
Janelas de exportação
O calendário de exportação também favorece o comércio com os Estados Unidos. A manga começa a ser embarcada entre agosto e setembro. Já a uva tem volumes expressivos enviados a partir de novembro, com uma janela importante também no primeiro semestre, especialmente em março.” A queda das tarifas se confirmada, vai dar novo fôlego às exportações de uva”, avalia Lira. Produtores estão preparados para retomar os embarques de uva para o mercado americano nos próximos meses.
Apesar da relevância das exportações, a maior parte da produção regional ainda é destinada ao consumo no Brasil. Entre 60% e 70% do volume produzido de manga e uva na região do Vale do São Francisco, é vendido no mercado interno, enquanto de 30% a 40% segue para exportação.
A fruticultura do Vale do São Francisco emprega 120 mil pessoas de forma direta e indireta e responde por 60% da economia local.
Para o setor, a possível redução das tarifas representa não apenas aumento de receita externa, mas também reequilíbrio de preços nos demais mercados, hoje pressionados pelo excesso de oferta causado pelas barreiras comerciais impostas em 2025.
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Fonte : CNN