Cerca de 59,4% das vítimas de feminicídio foram mortas pelos próprios companheiros, segundo dados da pesquisa “Retrato dos Feminicídios no Brasil”, divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública nesta quarta-feira (4).
Os números foram coletados entre os anos de 2021 e 2024. Além dos atuais companheiros como principais autores dos crimes, os “ex-companheiros” aparecem com um número significativo, sendo 21,3% dos casos. Já outros familiares respondem por 10,2% dos feminicídios.
A pesquisa aponta que o crime “não é uma violência simétrica entre gêneros, nem um fenômeno aleatório. É a manifestação extremade um regime de desigualdade que estrutura as relações entre homens e mulheres na sociedade brasileira. […] o autor do feminicídio, em regra, não é um agressor eventual, mas sim alguém que compartilhou a vida cotidiana com a vítima, que teve acesso à sua rotina, casa, círculos sociais e familiares.”
Além dos dados já apresentados, foi possível ver que, nos 5.729 casos registrados entre 2021 e 2024, em apenas 4,9% das ocorrências o autor era desconhecido.
Crescente de feminicídios em 2025
O Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025, alta de 4,7% em relação ao ano anterior. Desde a criação da Lei do Feminicídio, em 2015, ao menos 13.703 mulheres foram assassinadas em razão da condição de sexo feminino.
O levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que, entre 2021 e 2025, houve crescimento de 14,5% nos registros de feminicídio no país.
Violência íntima e dentro de casa
Quase todos os crimes (97,3%) foram cometidos por homens. A residência da vítima foi o local do crime em 66,3% dos casos. A via pública aparece em segundo lugar, com 19,2%.
A arma branca foi utilizada em 48,7% dos feminicídios, enquanto armas de fogo estiveram presentes em 25,2% das ocorrências.
Perfil das vítimas
- 62,6% das vítimas eram mulheres negras;
- 36,8% eram brancas;
- metade tinha entre 30 e 49 anos;
- 15,5% tinham 50 anos ou mais;
- 5,1% eram menores de 18 anos.
Pequenas cidades têm maior risco
Em 2024, municípios com até 100 mil habitantes registraram taxa de 1,7 feminicídio por 100 mil mulheres, acima da média nacional (1,4). Nas cidades com até 20 mil habitantes, a taxa chegou a 1,8 — 28,5% superior à média do país.
Embora 41% das mulheres brasileiras vivam em municípios com até 100 mil habitantes, essas cidades concentraram 50% dos feminicídios.
A infraestrutura de atendimento é mais limitada nesses locais:
- Apenas 5% dos municípios de pequeno porte possuem Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher.
- Só 3% contam com Casa Abrigo.
- Apenas 27,1% têm ao menos um serviço especializado da rede de proteção.Medidas protetivas não impediram parte dos crimes
Em 16 unidades da federação analisadas, 13,1% das vítimas de feminicídio tinham Medida Protetiva de Urgência (MPU) vigente no momento do crime. Estados como Acre (25%), Mato Grosso (22,2%) e São Paulo (21,7%, na capital) apresentaram percentuais acima da média nacional.
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Fonte : CNN