O PSB tem intensificado a pressão sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para garantir que Geraldo Alckmin (PSB) permaneça como vice-presidente na chapa de reeleição em 2026. A informação foi apurada pelo analista Matheus Teixeira, no Bastidores CNN, que revelou detalhes das articulações nos bastidores do governo.
Aliados próximos ao presidente, como a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP), já se manifestaram publicamente a favor da manutenção de Alckmin, ressaltando sua lealdade e bom desempenho na questão do tarifário. No entanto, Lula ainda considera a possibilidade de ter o MDB na chapa para ampliar seu arco de alianças, especialmente diante do temor de que partidos de centro acabem apoiando o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) na reta final das eleições.
PSB teme perder relevância nacional
A resistência do PSB em abrir mão da vice-presidência tem motivos estratégicos claros. O partido enfrenta um cenário desafiador para 2026, com risco de perder representatividade nos governos estaduais e no Senado. Dos três governadores atuais do partido – Carlos Brandão (Maranhão), Renato Casagrande (Espírito Santo) e João Campos (Pernambuco) – apenas Campos tem chances reais de manter o PSB no comando de um estado, já que os outros dois não podem mais se reeleger.
No Senado, a situação também é preocupante. O partido conta hoje com quatro senadores, mas enfrenta indefinições sobre as candidaturas de Cid Gomes no Ceará e Francisco Rodrigues em Roraima, além da decisão de Jorge Kajuro de não concorrer em Goiás. Diante desse quadro, a vice-presidência representa para o PSB a garantia de manter protagonismo e visibilidade na política nacional.
O fantasma do impeachment e a pressão sobre Lula
Um argumento forte utilizado pelo PSB nos bastidores é o histórico do MDB na vice-presidência. O partido tem lembrado a Lula o que aconteceu na última vez que a chapa presidencial foi formada por PT e PMDB (atual MDB): o impeachment de Dilma Rousseff e a consequente posse de Michel Temer como presidente.
Esse histórico, somado à lealdade demonstrada por Alckmin durante o atual mandato, tem pesado a favor da manutenção do vice. O próprio Alckmin já sinalizou que, caso não seja mantido na chapa para vice-presidente, não deseja participar da eleição em São Paulo, contrariando declarações recentes de Lula que sugerem um possível papel para ele no estado.
Para Lula, no entanto, a preocupação com a formação de palanques estaduais fortes permanece. O presidente teme especialmente o cenário em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, onde precisa de um nome competitivo para enfrentar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e evitar ficar sem palanque no segundo turno das eleições presidenciais, caso haja uma disputa entre ele e Flávio Bolsonaro.
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Fonte : CNN