A produção brasileira de peixes de cultivo ultrapassou a marca de 1 milhão de toneladas em 2025, segundo o 10º Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026, divulgado nesta terça-feira (24) pela associação Peixe BR.
O levantamento indica que o país produziu 1.011.540 toneladas no ano passado, alta de 4,41% sobre 2024, consolidando a piscicultura como uma das cadeias em expansão no agronegócio brasileiro.
“Somos o maior produtor de peixe de todas as Américas, um milhão de toneladas era um sonho muito distante quando começamos e agora vamos para o futuro”, afirmou o presidente executivo da Peixe BR, Francisco Medeiros, em coletiva de imprensa.
Segundo o anuário, a tilápia segue como principal motor do crescimento e respondeu por cerca de 70% da produção nacional, com 707.495 toneladas, avanço de 6,83% em relação ao ano anterior.
Já a produção de peixes nativos somou 257.070 toneladas, com leve recuo de 0,63%, enquanto as chamadas outras espécies, como carpas, trutas e pangasius, totalizaram 46.975 toneladas, queda de 1,75% frente a 2024.
Entre os estados produtores, o Paraná manteve a liderança, com 273.100 toneladas, equivalente a cerca de 27% da produção nacional.
Na sequência aparecem São Paulo, com 93.700 toneladas, Minas Gerais, com 77.500 toneladas, Santa Catarina, com 63.400 toneladas, e Maranhão, com 59.600 toneladas.
Tarifas externas e concorrência pressionam o setor
Mesmo com o avanço da produção, o anuário aponta que o setor enfrentou um ambiente externo mais complexo em 2025, marcado por tensões comerciais, concorrência internacional e incertezas regulatórias.
As exportações da piscicultura brasileira somaram US$ 60 milhões em 2025, alta de 2% em valor, apesar de leve queda de 1% no volume embarcado, que passou de 13.792 toneladas para 13.684 toneladas no período.
A tilápia concentrou praticamente todo o comércio externo e respondeu por 94% das exportações do setor, com US$ 56,6 milhões.
Mesmo com o chamado “tarifaço” adotado pelos Estados Unidos, o país se manteve como principal destino, absorvendo 87% das exportações brasileiras da piscicultura, o equivalente a cerca de US$ 52 milhões.
O relatório aponta que, apesar das barreiras comerciais, houve mudança no perfil das vendas externas. Os embarques passaram a se concentrar em produtos de maior valor agregado, com destaque para filés frescos, que somaram US$ 41 milhões, e para os filés congelados, que registraram forte crescimento e chegaram a US$ 3 milhões.
Ao mesmo tempo, o setor enfrentou aumento da concorrência internacional. A tilápia também passou a ganhar espaço nas importações brasileiras, que somaram cerca de US$ 1,5 milhão em compras da espécie no ano passado.
Além das pressões externas, o anuário registra que houve apreensão no setor diante da possibilidade de a tilápia ser incluída pelo governo brasileiro em uma lista de espécies exóticas invasoras, discussão conduzida na área ambiental. A medida poderia impor restrições à produção, mas acabou sendo adiada.
Segundo o levantamento, a combinação de tarifas, aumento da concorrência externa e risco regulatório elevou a cautela da cadeia produtiva, embora a expectativa seja de continuidade da expansão do setor.
source
Fonte : CNN