O fechamento do Estreito de Ormuz, importante rota marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, deve agravar o problema do petróleo no cenário mundial, segundo avaliação do jornalista William Waack, âncora do programa WW da CNN Brasil.
De acordo com Waack, o impacto não se limitará apenas ao aumento do preço do barril. “O problema do petróleo vai aumentar não só por causa do preço em si do barril, mas porque as seguradoras, por exemplo, estão agora impondo um prêmio monstruoso para o tráfego de navios, sobretudo, que vem daquela região”, explicou.
O jornalista observou que a Opep+ já está aumentando sua produção para compensar o gargalo criado no Estreito de Ormuz. Apesar da expectativa de alta nos preços da energia, Waack ressaltou que os especialistas não preveem um impacto tão dramático quanto os choques do petróleo ocorridos em décadas anteriores.
“O que os especialistas que eu estou acompanhando dizem que sim [terá impacto], porém não espetacular como aqueles que a minha geração viveu. A minha geração viveu o impacto do petróleo de 71, viveu o impacto do petróleo de 73, viveu o impacto do petróleo de 79 da Revolução Iraniana. Nada comparável nesse sentido”, afirmou.
Preocupação com a estabilidade regional
Para além da questão energética, Waack demonstrou preocupação com as consequências geopolíticas de uma possível mudança de regime no Irã. Ele alertou que um colapso no país poderia gerar um vácuo de poder em uma região já instável. “Um país do tamanho do Irã, onde ele está entrando em colapso, cria um caos numa região por sua vez já caótica e cria um tipo de vácuo que atrai as potências de fora para lá”, disse.
O jornalista também destacou a complexidade étnica do Irã, lembrando que o país é formado por diversas etnias além dos persas, como populações curdas, beluques e outras próximas ao Golfo Pérsico e ao Afeganistão. Historicamente, segundo Waack, o Irã manteve sua unidade através de um governo central forte. “O Irã é mantido, ou sempre foi mantido junto com a unidade, por força e presença de um governo central capaz de exercer essa força. Se não tem quem centralmente exerce força, a gente está falando de desintegração”, explicou.
Waack lembrou casos recentes de instabilidade regional, como os conflitos na Síria e no Iraque, para ilustrar as possíveis consequências de uma desintegração do poder central no Irã. “Todas as vezes que essas forças centrais são eliminadas e entram em caos, nós temos uma situação ainda mais caótica do que a que prevalecia antes”, concluiu.
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Fonte : CNN