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A prefeitura de São Paulo demoliu, no último fim de semana, o local onde o Teatro de Contêiner, da Companhia Mungunzá de Teatro, atuou durante dez anos, na rua dos Gusmões, no bairro da Santa Efigênia, região central de São Paulo.

Representantes do Teatro afirmam que não foram notificados e que não houve apresentação de alvará sobre a retirada da estrutura e a identificação de um responsável técnico.

Segundo a gestão municipal, a estrutura do Teatro e os pertences dos artistas foram retirados e armazenados em um depósito da Subprefeitura da Sé.

Marcos Felipe, um dos responsáveis pela organização do Teatro, questionou a ação afirmando que a Companhia havia assinado um acordo sobre a realocação do espaço para a rua Helvétia em dezembro de 2025. “Por que vocês [prefeitura] gastaram dinheiro público retirando essas estruturas daqui e levando para a avenida do Estado ao invés de levar para a rua Helvétia, onde ele será reconstruído?”

A seguir, veja o pronunciamento da Companhia e imagens da desocupação:

Por outro lado, a prefeitura disse que os representantes da xompanhia “prefeririam, perto do prazo final [de desocupação] determinado pela Justiça, criar obstáculos para desocupação do terreno.”

Em nota, a gestão municipal informou que construirá um empreendimento habitacional e um espaço de lazer no local.

As partes haviam acordado sobre a transferência do espaço para outro local disponibilizado em quatro endereços, as quais a companhia deveria selecionar entre as ruas Conselheiro Furtado, Helvétia e João Passaláqua, além do repasse de R$2,5 milhões à companhia.

Relembre o caso

Em 2016, a Companhia Mungunzá ocupou o terreno na rua dos Gusmões, no bairro República. Porém, em maio de 2025, o Teatro recebeu uma notificação da prefeitura de São Paulo para desocupar o terreno por se tratar de uma área pública e, portanto, pertencer à União, mas houve resistência por parte da companhia.

Em janeiro deste ano, a gestão de São Paulo havia retornado a reintegração do espaço após o fim de tempo determinado pela Justiça de permanência do Teatro Contêiner naquele endereço. À época, artistas e apoiadores da permanência do movimento se reuniram no espaço como forma de protesto.

Marcos Felipe informou, naquele momento, que não foram avisados e que não houve diálogo para resolver a situação.

Veja a nota da Prefeitura na íntegra:

A Prefeitura de São Paulo informa que o Teatro de Contêiner Mungunzá ocupou irregularmente a área da rua dos Gusmões por quase dez anos, inclusive, fazendo ligação clandestina de água e luz, como registrado em boletim de ocorrência pelo Município. A gestão atual dialogou por cerca de um ano com o grupo, repassou R$ 2,5 milhões às atividades da companhia e ofereceu quatro alternativas de terrenos para a transferência, mas seus representantes preferiram, perto do prazo final determinado pela Justiça, criar obstáculos para desocupação do terreno. A gestão municipal reintegrou a área ocupada irregularmente, cumprindo decisão judicial, e vai construir no local um empreendimento habitacional e espaço de lazer. Todos os itens retirados do Teatro de Contêiner estão sendo devidamente armazenados em um depósito da Subprefeitura Sé, garantindo a preservação das estruturas e dos materiais. A ação faz parte do processo de destinação do terreno à habitação de interesse social, conduzido com respaldo legal. O terreno sempre foi público, e o grupo responsável foi previamente orientado a realizar a retirada integral da estrutura, o que não ocorreu.

A CNN Brasil procurou a Companhia Mungunzá de Teatro que administra o Teatro Contêiner para mais informações, no entanto, não obteve respostas até o momento.

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

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Fonte : CNN

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