A diretoria da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) aprovou nesta terça-feira (10) os editais dos Leilões de Reserva de Capacidade na forma de Potência, que serão realizados nos dias 18 e 20 de março. A decisão, no entanto, frustrou o mercado ao estabelecer preços-teto abaixo do esperado, o que provocou forte reação negativa entre empresas do setor elétrico e investidores.
O impacto foi imediato na bolsa. As ações da Eneva, uma das principais geradoras termelétricas do país, chegaram a cair mais de 18% ao longo da manhã.
O movimento reflete a decepção dos agentes com a sinalização dada pelos preços definidos pelo governo, já que havia expectativa de que a companhia conseguisse contratar suas usinas existentes e, principalmente, viabilizar a expansão da Celse (Centrais Elétricas de Sergipe). Apesar da queda expressiva no pregão, os papéis acumulavam uma valorização de 88,33% no ano e haviam fechado em R$ 21,94 no dia anterior.
Serão realizados dois certames distintos. O leilão do dia 18 de março será voltado à ampliação de hidrelétricas existentes, contratação de termelétricas a gás novas e existentes e de usinas a carvão já em operação. Nesse caso, o preço-teto foi fixado em R$ 1,6 milhão por megawatt ao ano (MW.ano) para empreendimentos termelétricos novos e em R$ 1,12 milhão/MW.ano para termelétricas existentes. Para hidrelétricas, o valor máximo será de R$ 1,4 milhão/MW.ano.
Já o leilão do dia 20 de março terá foco na contratação de termelétricas a diesel, biodiesel e óleo combustível. Os preços estabelecidos foram de R$ 920 mil/MW.ano para usinas termelétricas existentes e de R$ 990 mil/MW.ano para usinas hidrelétricas existentes.
A definição desses valores acendeu um sinal de alerta no setor. Executivos e analistas avaliam que os preços podem ser insuficientes para viabilizar novos projetos, o que levanta o risco de que o leilão não consiga contratar nenhuma nova termelétrica. O temor é que isso comprometa a segurança do sistema elétrico, que depende de energia firme para atender principalmente aos picos de consumo.
Em condição de anonimato, um executivo de uma empresa geradora térmica afirmou que, com os preços propostos, o leilão tende a “dar deserto” tanto para projetos novos quanto para usinas existentes.
Segundo o executivo, nos patamares atuais, torna-se difícil garantir a contratação da nova capacidade necessária para oferecer flexibilidade ao sistema elétrico sem comprometer a atratividade econômica dos investimentos.
A preocupação do mercado é que, sem ajustes nos valores, o país avance pouco na expansão da capacidade de geração firme, justamente em um momento em que a confiabilidade do sistema se torna cada vez mais estratégica diante do crescimento da demanda e da maior participação de fontes intermitentes na matriz elétrica.
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Fonte : CNN