O forte reajuste no preço dos combustíveis anunciado pelo governo do Chile entrou em vigor nesta quinta-feira (26), representando um teste imediato ao forte apoio que levou José Antonio Kast à presidência.
O novo governo, empossado em 11 de março, acionou uma cláusula para alinhar os preços dos combustíveis dentro do Chile com as altas internacionais ligadas ao conflito no Oriente Médio.
Com as finanças públicas sob pressão, autoridades afirmaram que o governo não poderia mais absorver o rápido aumento de custos, o que levou ao ajuste abrupto agora observado nas bombas em todo o país.
O aumento eleva o preço da gasolina em cerca de 30% e o diesel em 60%. Filas começaram a se formar após o anúncio, no começo da semana, e alguns postos ficaram sem combustível.
Victor Salas, pesquisador da Faculdade de Administração e Economia da Universidade de Santiago, disse que o governo de Kast transferiu a alta do petróleo para a economia interna, e alertou para o possível impacto da medida.
“O novo governo cedeu e transferiu os custos do petróleo para a economia interna, para o mercado. E acho que isso tem custos políticos, além dos custos inflacionários para as pessoas no país”, afirma.
Uma pesquisa da consultoria Cadem mostrou que a aprovação de Kast caiu quatro pontos, para 47%, com 59% dos chilenos afirmando que o aumento poderia ter sido evitado.
A pesquisa também indicou que a desaprovação superou a aprovação pela primeira vez, e 54% esperam novos aumentos nos preços dos combustíveis.
O ministro das Finanças, Jorge Quiroz, afirmou que futuras mudanças de preços serão graduais e que qualquer queda no preço do petróleo será repassada rapidamente.
Para amenizar o impacto, o governo anunciou medidas como o congelamento das tarifas de transporte público até dezembro, o que compensará parte do choque nos preços dos combustíveis, segundo análise do JP Morgan.
No entanto, o aumento na gasolina e no diesel ainda pode gerar pressões inflacionárias não lineares, afirmou a instituição.
O Banco Central do Chile revisou sua previsão de inflação um dia antes, indicando que haverá um aumento significativo no segundo trimestre, atingindo cerca de 4% ao ano.
José Antonio Kast, o líder mais à direita do Chile desde o retorno à democracia, culpou o ex-presidente de esquerda Gabriel Boric pelas finanças públicas fragilizadas e afirmou que liderará um “governo de emergência” focado na recuperação.
Segundo analistas, os aumentos podem estimular agitação social e protestos, incluindo de operadores de transporte público.
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Fonte : CNN