O conflito no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã evoluiu para uma guerra, deixando centenas de mortos e destruição na região.
A classificação de “guerra” acontece mesmo sem uma declaração formal de algum dos lados do conflito, tendo em vista o alcance, a intensidade e a natureza recíproca da ação militar contínua entre Estados soberanos.
A decisão leva em conta análise interna da CNN e consulta com especialistas em Relações Internacionais.
Fernanda Magnotta, analista de Internacional da CNN Brasil, ressalta que a ausência de uma declaração formal dos países envolvidos na batalha não impede a caracterização de uma guerra.
“O direito internacional contemporâneo considera como guerra qualquer uso de força entre Estados que atinja determinado grau de intensidade e continuidade”, afirma.
“Se o padrão atual inclui ataques diretos, mobilização militar, ameaça explícita de escalada e impacto estratégico regional (como no Golfo e no entorno do Estreito de Ormuz), a nomenclatura deixa de ser retórica e passa a descrever uma realidade operacional”, adiciona.
Lourival Sant’Anna, analista de Internacional da CNN Brasil, também concorda que o termo pode ser utilizado para classificar o atual conflito no Oriente Médio.
“O termo guerra é usado tecnicamente na linguagem militar e geopolítica quando dois ou mais Estados estão engajados numa confrontação aberta e sustentada, com expectativa de continuidade e objetivos estratégicos claros de degradação militar do adversário e de elevação do custo humano, militar e econômico, no caso pelo Irã”, explica.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel iniciaram no sábado (28) uma onda de ataques contra o Irã, em meio a tensões sobre o programa nuclear iraniano.
O regime dos aiatolás iniciou retaliação contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares norte-americanas, entre eles: Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
No domingo, a mídia estatal iraniana anunciou que seu líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, foi uma das vítimas feitas pelos ataques norte-americanos e israelenses.
Após o anúncio da morte de Khamenei, o Irã ameaçou lançar a “ofensiva mais pesada” da história. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o país persa considera se vingar pelos ataques de Israel e dos Estados Unidos como um “direito e dever legítimo”.
Em resposta, Trump ameaçou o Irã contra os ataques retaliatórios, dizendo “é melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista”. As agressões entre as partes seguem neste domingo.
Na véspera, Trump já havia afirmado que os ataques contra o Irã vão continuar “ininterruptos durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário para alcançarmos nosso objetivo de PAZ EM TODO O ORIENTE MÉDIO E, DE FATO, NO MUNDO!”.
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Fonte : CNN