A direita americana enfrenta uma profunda divisão interna, reacendida em novembro de 2025, sobre o futuro do visto H-1B. O programa, que permite a empresas americanas contratar trabalhadores estrangeiros qualificados, tornou-se um campo de batalha ideológico, expondo tensões entre diferentes facções do movimento conservador.
De um lado, figuras proeminentes da base defendem o fim do programa, argumentando que ele prejudica os trabalhadores americanos. Do outro, importantes vozes, incluindo empresários do setor tecnológico e até mesmo figuras políticas, insistem que o H-1B é crucial para manter a competitividade e a liderança dos Estados Unidos em inovação.
A disputa escalou em dezembro de 2024, após declarações públicas de apoio ao programa, destacando a importância do H-1B para atrair talentos globais. Essas manifestações geraram críticas imediatas, com acusações de priorizar interesses corporativos em detrimento dos trabalhadores americanos e até mesmo questionamentos sobre o patriotismo de defensores do visto.
A controvérsia ressurgiu com força, reacendendo o debate sobre o papel da imigração qualificada na economia americana. Membros influentes da direita compartilharam críticas antigas ao programa, enquanto outros defenderam a necessidade de atrair talentos estrangeiros para preencher lacunas de habilidades nos Estados Unidos.
Apesar de medidas implementadas para mitigar possíveis abusos, a discussão sobre o H-1B continua a dividir o movimento conservador. O programa, criado em 1990, permite que empresas americanas contratem profissionais estrangeiros para ocupações especializadas que exigem pelo menos um diploma de bacharel. Anualmente, são disponibilizados 85 mil novos vistos.
Em 2025, o processo de registro inicial recebeu quase 480 mil inscrições, evidenciando uma alta demanda. Empresas como Amazon, Microsoft, Google, Tesla, Meta e Apple figuram entre as maiores patrocinadoras do visto H-1B. A maioria dos beneficiários são de nacionalidade indiana e chinesa, com o Brasil também figurando entre os países com maior representação.
Dados do mercado de trabalho americano indicam um crescimento na demanda por profissionais das áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM), com projeções de déficit de profissionais qualificados nos próximos anos. Estudos apontam que a contratação de profissionais via H-1B pode gerar novos empregos para americanos, impulsionando a inovação e o crescimento empresarial.
Enquanto a direita se concentra no debate sobre o H-1B, a imigração ilegal continua a ser um desafio significativo, sobrecarregando serviços públicos e impactando o mercado de trabalho.
A esquerda observa a divisão interna da direita, percebendo que ela desvia a atenção de outras questões importantes, como a revisão de políticas de diversidade e a agenda progressista em grandes corporações e na mídia.
Históricamente, países que restringiram a entrada de talentos estrangeiros perderam competitividade. Os Estados Unidos se consolidaram como uma potência econômica e militar, atraindo talentos do mundo todo.
A direita americana conquistou o poder por meio de uma coalizão ampla. A unidade é fundamental para enfrentar desafios internos e externos. Concentrar esforços em questões como segurança nas fronteiras, mérito nas contratações e liderança tecnológica pode ser mais estratégico do que a divisão interna em torno do visto H-1B.
Fonte: revistatimeline.com