O manobrista que fez a mistura de cloro na piscina onde Juliana Bassetto, de 27 anos, sofreu uma intoxicação e morreu, afirmou em depoimento à Polícia Civil que um ano antes da morte, já havia identificado problemas na água da pisicina da academia C4.
De acordo com o homem, que trabalha na academia C4 há aproximadamente três anos e prestou depoimento na manhã desta terça-feira (10), a piscina tinha apresentado “grande sujidade” e “formação de espuma” naquele período.
Conforme o relato, obtido pela CNN Brasil, ele chegou a avisar o responsável pelo estabelecimento sobre o problema, que contratou um técnico para trabalhar na estabilização da água por uma semana. O técnico teria oferecido, ainda, os serviços permanentemente, mas foi dispensado.
Piscina apresentou problema novamente
Segundo o manobrista, poucos dias antes da morte de Juliana, ele havia notado que a água estava turva e enviou uma imagem ao gerente, que respondeu apenas no dia seguinte. O então responsável pela academia informou ao manobrista que seriam aplicados produtos para tentar melhorar a água para o final de semana.
Naquele mesmo dia, o homem, seguindo a ordem recebida do superior de aplicar apenas cloro na piscina grande, aplicou duas medidas de Cloro 60 e deixou o sistema da piscina na função “filtrar”.
Dia do incidente e depoimento
Conforme informado em depoimento, no sábado, no dia em que Juliana foi intoxicada, o manobrista realizou a abertura da academia e verificou que a água continuava turva, mesmo após os protocolos de limpeza realizados.
O gerente da academia, por mensagem, afirmou ter visto pelas câmeras de segurança que a qualidade da água continuava inadequada e solicitou uma nova testagem, mesmo com alunos dentro da piscina. Após realizar o novo teste, o manobrista enviou uma imagem ao seu empregador, que orientou que fossem aplicadas cerca de seis a oito medidas de cloro 60 novamente.
No entanto, ele afirma que não aplicou o produto diretamente na pisicina, mas que preparou a solução, retirando um balde de água da pisicina e colocando seis medidas de cloro no compartimento.
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Ele deslocou-se então ao trocador infantil, localizado cerca de dois metros da borda da piscina grande, onde deixou a mistura e seguiu para o seu trabalho como manobrista.
Foi quando percebeu, aproximadamente dez minutos depois, uma movimentação incomum. Juliana estava sentada na recepção, sendo amparada pelo marido, ambos com roupas de banho.
O manobrista retornou ao interior da academia e notou o forte odor de cloro no ambiente. Ao se aproximar da área da piscina, viu um pai socorrendo o filho adolescente.
Com a situação, comunicou imediatamente aos professores de natação e pediu para que retirassem todos os alunos da piscina. Informou também ao seu empregador sobre a situação, que se condiciou a responder apenas “paciência”, sem orientá-lo sobre o caso.
No dia seguinte, segundo o manobrista, recebeu uma ligação do gerente pedindo que saísse de casa. “Vai, sai de casa que a polícia tá batendo na porta de todo mundo”.
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Morte e intoxicações
No último sábado (7), Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, morreu e outras cinco pessoas precisaram ser hospitalizadas após uma intoxicação na piscina do local. As vítimas participavam de uma aula de natação na academia.
Segundo relatado por testemunhas, os alunos perceberam um forte odor químico, seguido de ardência nos olhos, no nariz e nos pulmões, além de episódios de vômito.
Juliana chegou a ser socorrida e levada a um hospital em Santo André, mas não resistiu após sofrer uma parada cardíaca. O marido da vítima e outros três alunos também foram encaminhados para atendimento médico, alguns deles em estado grave.
Uma das vítimas, um adolescente de 14 anos, foi hospitalizado com complicações nos pulmões e permanece sob cuidados médicos.
De acordo com o delegado Alexandre Bento, titular do 42º Distrito Policial, os responsáveis pela academia fecharam o estabelecimento e abandonaram o local sem comunicar a polícia. Para que o Instituto de Criminalística e o Corpo de Bombeiros pudessem realizar a perícia, foi necessário arrombar o imóvel.
O caso foi registrado como morte suspeita e perigo para a vida ou saúde de outrem. A Polícia Civil iniciou diligências para localizar e intimar os proprietários e gerentes da academia, que devem prestar esclarecimentos.
*Sob supervisão de Carolina Figueiredo
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Fonte : CNN