Uma alta do petróleo para o patamar de US$ 80 por barril — e a manutenção desse valor pelo resto do ano — pode cortar o déficit primário praticamente pela metade em 2026, conforme novas projeções feitas pelo BTG Pactual e distribuídas nesta quarta-feira (4) em relatório a clientes.
Em suas estimativas originais, a instituição financeira prevê o barril do petróleo a US$ 65 e o dólar a R$ 5,20 neste ano.
Isso resultaria em um déficit primário do governo central — Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central — de R$ 50 bilhões ( o equivalente a 0,4% do PIB), sem considerar exceções ao arcabouço fiscal, como descontos pelo pagamento de precatórios e investimentos adicionais no reaparelhamento das Forças Armadas.
O BTG Pactual fez novas simulações levando em conta eventuais impactos dos ataques feitos ao Irã e as crescentes tensões no Oriente Médio, com o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde é escoada boa parte da produção de petróleo dos países árabes.
No caso de manutenção da taxa de câmbio e realinhamento do barril para o patamar de US$ 80, mantendo-se assim pelo restante do ano, o efeito seria uma arrecadação adicional de R$ 18,9 bilhões (em impostos federais, royalties e participações especiais destinadas à União) e de R$ 4,1 bilhões em dividendos da Petrobras ao Tesouro, totalizando R$ 23 bilhões.
Esse valor já desconsidera valores pagos para estados e prefeituras (em royalties e impostos) e dividendos para acionistas minoritários da Petrobras.
Em termos líquidos, o resultado seria a redução do déficit primário para R$ 27 bilhões em 2026 (-0,2% do PIB), segundo os analistas do BTG Pactual.
“Finalmente, é importante considerar que qualquer impacto inflacionário decorrente do conflito poderia gerar pressão política por medidas de alívio tributário e/ou maior gasto público, com o objetivo de mitigar esses efeitos. Se implementadas, essas medidas poderiam compensar parcial ou integralmente os ganhos [fiscais] estimados neste exercício”, pondera o relatório.
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Fonte : CNN