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A Petrobras reduziu em até 20% o volume de combustíveis que distribuidoras poderão comprar em abril, em relação ao que foi comprado em igual período do ano passado. A medida, que pegou os agentes de surpresa, empurra o país para uma encruzilhada: ou o setor privado acelera importações com preços cada vez maiores, ou cresce o risco de desabastecimento.

Mensalmente, a Petrobras anuncia a “cota mês” que cada cliente pode comprar das refinarias. O limite é necessário porque o Brasil não é autossuficiente em diesel e gasolina. Como a demanda é maior que a oferta, a Petrobras estabelece um teto para o volume que pode ser comprado pelas distribuidoras privadas.

Esse teto, porém, será ainda mais baixo em abril.

Sem produto nacional suficiente, é preciso procurar no exterior. O problema é que o cenário global é hostil e os preços dispararam diante da restrição de oferta gerada pela guerra. Em 19 de março, o diesel entregue nos portos brasileiros chegou a custar R$ 2,70 acima do valor praticado pela Petrobras nas refinarias; na gasolina, a defasagem atinge R$ 1,50.

Além do menor volume, a Petrobras também impôs uma mudança operacional que asfixia o planejamento das empresas. No decorrer de março, a cota mensal passou a ser liberada em frações diárias de 1/30. O problema é que a demanda não é uniforme ao longo do mês. E, com essa imposição, as empresas não puderam ajustar as compras de acordo com o interesse de seus clientes.

Essa restrição nas vendas por parte da Petrobras traz outro desafio logístico – e, claro, de custos. O combustível vendido pela estatal chega às distribuidoras por meio de dutos. Mas o produto importado chega de navio – e aí, o transporte a partir dos postos depende exclusivamente de caminhões, o que gera um pesadelo logístico.

Com isso, as empresas perdem a escala: em vez de programar grandes retiradas conforme a demanda, são obrigadas a manter um fluxo constante de veículos, elevando drasticamente os custos de frete e armazenagem.

A convicção de que haverá reajuste nas bombas nas próximas semanas é absoluta entre os grandes players. O movimento começou pelos revendedores independentes e de menor porte que, pressionados pelo preço importado, reduziram suas compras externas e acabam sobrecarregando a demanda sobre as grandes distribuidoras.

Atualmente, o Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome. No caso da gasolina, a fatia vinda de fora é de aproximadamente 10%. Com essa restrição da oferta pela Petrobras, o risco é que essa fatia cresça.

Se houver produto disponível no exterior e tempo hábil para o desembarque nos portos, o preço certamente subirá para o consumidor final para cobrir o rombo da importação. Caso a logística falhe ou o apetite financeiro das empresas não suporte o prejuízo, o Brasil poderá enfrentar episódios pontuais de falta de produto justamente em momento crucial para a safra, quando o consumo de diesel atinge o pico.

A CNN procurou a Petrobras, mas a companhia ainda não respondeu às questões sobre o tema.

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Fonte : CNN

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