Diante das altas temperaturas típicas do verão, aquela rotina de dez passos de skincare pode se tornar um verdadeiro pesadelo de poros obstruídos e brilho excessivo.
O suor e a umidade pedem fôlego para a pele, e a tendência do skinimalismo, ou seja, o skincare minimalista, surge não apenas como uma escolha técnica, mas enquanto uma necessidade fisiológica para enfrentar o calor.
A armadilha do excesso e o efeito rebote
No verão, a pele trabalha dobrado para se autorregular. À CNN Brasil, o dermatologista Lucas Miranda, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que a produção de sebo aumenta naturalmente como um mecanismo de proteção. O erro, muitas vezes, é tentar combater isso com camadas em excesso de produtos.
“Quando somamos a produção natural de sebo ao uso de múltiplas camadas de produtos — muitos deles com textura mais oclusiva ou não adaptada ao clima — há um risco maior de obstrução dos poros, aumento da oleosidade reativa (efeito rebote) e até surgimento de acne fúngica ou miliária”, alerta.
Para ele, adotar uma rotina mais enxuta melhora a aderência ao tratamento e “favorece a manutenção de uma barreira cutânea funcional e equilibrada”.
Se a ideia é simplificar, é importante focar no básico que realmente funciona. Uma rotina eficaz para o calor deve priorizar três pilares: limpeza adequada, hidratação leve e fotoproteção.
“A higienização remove o excesso de suor e sebo acumulado, a hidratação preserva a função de barreira sem pesar e o protetor solar previne os danos causados pela radiação UV e luz visível — fatores intensificados durante o verão”, comenta o profissional.
O erro clássico da pele oleosa
Nesta estação, muitas pessoas também cometem o erro de abandonar o hidratante quando sentem o rosto “derretendo” sob o sol. Conforme alerta o biomédico Thiago Martins, mestre em Medicina Estética, à CNN Brasil, esse é um dos equívocos mais frequentes de quem tenta simplificar o skincare no verão. O segredo, segundo ele, não é parar de hidratar, mas trocar a textura do produto.
“O erro mais frequente é abrir mão do hidratante por acreditar que pele oleosa não precisa de hidratação. Isso pode levar ao desequilíbrio da barreira cutânea, aumentando a produção de sebo como mecanismo compensatório”, diz.
Para isso, recomenda-se a escolha de hidratantes oil-free, com textura gel, sérum ou aquagel. Esses produtos promovem hidratação “por mecanismos de atração de água, como o ácido hialurônico ou a glicerina, sem formar película oleosa”, acrescenta Lucas.
Excesso de higiene pode fazer mal
Ainda que a vontade de lavar o rosto a cada hora para refrescar seja frequente, o excesso de limpeza é um vilão silencioso. Thiago detalha que o ideal seja de duas vezes ao dia (manhã e noite), utilizando um sabonete suave que respeite o pH da pele.
“Em casos de suor excessivo, como após atividade física, uma terceira lavagem pode ser feita, desde que com um produto delicado. Lavar a pele mais que isso pode comprometer a barreira cutânea, predispondo à sensibilidade, ressecamento e efeito rebote de oleosidade”, conta.
Vitamina C e o “luxo” funcionar das brumas
A vitamina C segue como uma aliada poderosa, funcionando como um “escudo” extra que potencializa a ação do protetor solar.
O dermatologista ressalta que além é bem vinda “desde que em formulações estabilizadas e com pH adequado”. Outros antioxidantes como ácido ferúlico, resveratrol e niacinamida, que ajudam a reforçar a defesa contra os radicais livres, também são indicados.
Já para quem acha que a água termal é apenas um “mimo” caro, Thiago esclarece que elas possuem, sim, papel terapêutico, especialmente em peles sensíveis ou expostas ao sol e poluição.
“Elas ajudam a acalmar, refrescar e hidratar levemente, graças à presença de minerais com propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes”, diz ele, lembrando que elas devem ser usadas como complemento, e não substituindo a hidratação e a proteção solar.
“Simplificar não significa descuidar: o segredo está em escolher poucos produtos, mas bem formulados e adequados ao clima e tipo de pele”, concluiu.
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Fonte : CNN