A patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, expira oficialmente nesta sexta-feira (20). No entanto, ao contrário das expectativas do mercado, a chegada de versões genéricas e mais acessíveis às farmácias não será imediata.
A nova previsão é que o primeiro similar nacional receba o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apenas em junho, após a conclusão das análises regulatórias.
Originalmente indicado para o diabetes tipo 2, o Ozempic ganhou projeção mundial por sua eficácia na perda de peso. Ao atuar no controle da glicemia e na modulação do apetite, o medicamento da Novo Nordisk registrou um crescimento vertiginoso de demanda global.
Hoje, ele lidera uma categoria terapêutica em ascensão, disputando mercado com fármacos como o Wegovy — também à base de semaglutida, mas voltado à obesidade —, o Saxenda (liraglutida) e o Mounjaro (Eli Lilly).
Atualmente, o custo por caneta no Brasil oscila entre R$ 800 e R$ 1.000, variando conforme a dosagem, o estabelecimento e programas de fidelidade. Mas a queda da patente garante desconto automático?
Não é possível cravar que os novos produtos serão imediatamente mais baratos. De acordo com o farmacêutico Jamar Tejada, “existe uma percepção de que qualquer alternativa ao medicamento original será mais barata, mas isso não é uma regra”.
Para o especialista, a redução de custo não é uma obrigação. “No caso dos biossimilares, é comum que cheguem ao mercado com preços menores, mas isso não é uma exigência regulatória da Anvisa. Trata-se, na prática, de uma consequência das políticas de mercado e precificação e não há obrigatoriedade legal de redução de preço. Já no caso de medicamentos registrados como novos, essa lógica pode ser ainda menos previsível”, explica.
Tejada reforça que o valor final depende da estratégia individual de cada laboratório: “Um medicamento aprovado como novo não precisa seguir a mesma lógica de preço dos biossimilares. O valor vai depender de diversos fatores, incluindo estratégia comercial e posicionamento no mercado”.
Embora a concorrência ajude no longo prazo, ela não é o único fator determinante. “O cenário tende a ficar mais competitivo, o que pode favorecer o consumidor no médio prazo. Mas é importante entender que preço não é definido apenas pela existência de alternativas”, pondera.
Para o futuro, o foco deve ser o acesso real ao tratamento. “Mais do que esperar preços menores, o importante é acompanhar como esses produtos serão avaliados e disponibilizados. A regulação e o mercado caminham juntos — e isso impacta diretamente o acesso à saúde”, conclui Jamar Tejada.
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Fonte : CNN