Os conservadores que governam a Alemanha aprovaram neste sábado (21) uma proposta para proibir o uso de redes sociais por menores de 14 anos e introduzir verificações digitais mais rigorosas para adolescentes, criando mais um impulso para outros países da Europa adotarem a mesma medida.
Numa conferência partidária na cidade de Stuttgart, o partido União Democrata Cristã, do chanceler Friedrich Merz, também defendeu multas para plataformas online que não impusessem esses limites, bem como a harmonização das normas de idade em toda a União Europeia.
Um número crescente de países, incluindo Espanha, Grécia, França e Reino Unido, estão considerando proibições semelhantes nas redes sociais ou restrições ao acesso a plataformas como TikTok e Instagram.
Todas essas nações seguem o exemplo da Austrália, que no ano passado se tornou o primeiro país a obrigar as plataformas a restringir o acesso de crianças.
Os países europeus estão, de forma mais ampla, intensificando a pressão sobre as empresas de redes sociais, arriscando uma reação negativa dos Estados Unidos.
O presidente dos EUA Donald Trump ameaçou impor tarifas e sanções caso os países da UE implementem novos impostos sobre tecnologia ou regulamentações online que prejudiquem as empresas americanas
“Solicitamos ao governo federal que introduza um limite de idade legal de 14 anos para o uso de redes sociais e que atenda à necessidade especial de proteção na esfera digital até os 16 anos”, diz a proposta aprovada.
Os parceiros de coligação de Merz, os Social-Democratas, também apoiaram restrições ao uso de redes sociais por crianças. A pressão de ambos os partidos na coligação torna cada vez mais provável que o governo federal pressione por restrições.
No entanto, no sistema federal alemão, a regulamentação da mídia é uma responsabilidade dos estados, que devem negociar entre si para chegar a um acordo sobre regras consistentes em todo o país.
Crianças discutem a proibição
A proibição pode afetar crianças como as do Ginásio Cardinal Frings, na cidade de Bonn, várias das quais estavam usando celulares no dia anterior, nas dependências da escola.
“Acho justo, mas acho que deveria ser decisão dos pais proibir ou não, e não do Estado”, disse Moritz, de 13 anos, que afirma só assistir ao YouTube.
“Para crianças menores de 12 anos, isso deveria ser proibido, mas a partir dos 12 anos, acredito que as crianças já conseguem distinguir entre notícias falsas e notícias verdadeiras”, acrescentou o menino.
Uma colega de classe, Emma, de 13 anos, usa quase exclusivamente o Snapchat, mas tem um limite de tempo para usar o celular.
Uma proibição seria “meio estranha, porque você se acostuma a mandar seu snap de manhã antes da escola, ou o que meus amigos fazem, tipo ficar rolando o feed do Instagram ou do TikTok por um tempinho”, disse Emma.
Já Ella, de 12 anos, navega pelas redes sociais várias vezes ao dia.
“Eu mesma tenho TikTok e Instagram, mas entendo que tudo isso vicia, e quanto mais você rola a tela, mais você quer ver.”
O professor Till Franke disse que para muitas crianças , “seria um choque no início, devido ao uso diário das redes sociais “.
Mas, com o tempo, os alunos se acostumariam, disse ele, “porque encontrariam outras formas de se comunicar uns com os outros”.
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Fonte : CNN