Após anunciar um acordo com seus principais credores para apresentação de um plano de recuperação extrajudicial, ainda não são claros os próximos passos que serão dados pelo GPA, responsável pela rede de supermercados Pão de Açúcar, entre outras marcas.
Segundo o GPA, a medida prevê reestruturação da dívida de R$ 4,5 bilhões.
Alguns cenários são possíveis, e especialistas acreditam que, nesse momento, o fechamento de lojas é um deles.
O GPA possui 728 unidades, segundo relatório do 4º trimestre de 2025, distribuidas em Minuto Pão de Açúcar (221), Pão de Açúcar (187), Extra Mercado (164) e Mini Extra (155), além de um loja em conversão.
Ana Paula Tozzi, CEO da AGR Consultores, acredita que um dos caminhos mais prováveis seja o fechamento de lojas cujas operações não evidenciem tantos resultados operacionais.
“Se tiver algum fechamento de lojas, serão as que não farão parte do modelo estratégico futuro. Esse, na verdade, é o ponto mais importante do grupo: entender como o grupo vai se posicionar estratégicamente”, explica.
No entanto, na visão da especialista, isso só virá acontecer caso a reestruturação de dívida proposta nesta terça-feira não seja suficiente financeiramente para o grupo.
“São três cenários possíveis: uma restruturação bem sucedida, o fechamente de lojas para redução de despesas, venda e racionalização de ativos; ou o pior cenário, que seria migrar para uma recuperação judicial“, avalia.
Ao mercado, a rede de supermercados apontou que as operações não devem ser impactadas.
“A Companhia esclarece que o processo foi estruturado de modo a preservar a operação de suas lojas, que deverão seguir funcionando normalmente”, afirmou o GPA.
“Suas operações são saudáveis, e a Companhia está em dia com suas obrigações junto a fornecedores, clientes e parceiros, os quais estão excluídos e não serão afetados pelo processo de recuperação extrajudicial”.
A aposta de Arthur Horta, sócio da Link Investimentos é ainda mais específica: “O Pão de Açúcar deve sim começar a fechar lojas ineficientes, inclusive vender ativos que não fazem parte do seu core business, que seriam lojas fora do estado de São Paulo”.
Horta explica que isso acontece porque a empresa precisa pagar a dívida e gerar caixa – ou seja, precisa reduzir o endividamento. Com isso, a venda de ativos acaba sendo uma alternativa considerada muito importante, assim como o fechamento de operações ineficientes.
“Então a diretoria vai trabalhar para identificar quais lojas estão ineficientes e provavelmente elas serão fechadas”, sinaliza o analista.
Geração de caixa e desempregos futuros
De um ponto de vista jurídico, a advogada especialista em Direito Empresarial, Daniela Correa, diz que o fechamento de lojas por uma empresa do patamar do grupo GPA significa corte de gastos, inclusive das despesas com colaboradores – e esse seria o ponto negativo.
“O fechamento de lojas infelizmente, culminará no desemprego de colaboradores. Geralmente, nessas situações há intervenção de sindicatos para que determinadas lojas sejam mantidas de pé pelo número de colaboradores que nelas existem, visando evitar um colapso na parte trabalhista”, explica.
Como contraponto, Correa reforça que a GPA não vai automaticamente fechar lojas a partir de agora, e que existe todo um estudo por trás de um movimento como esse.
“A operação ela continua, não é porque uma empresa entrou com pedido de repressão judicial que vai começar a fechar loja no país inteiro, não é assim que funciona. Existe a questão trabalhista que é muito forte, e uma empresa do porte do GPA é muito bem estruturada, justamente para ter preservação da marca”, finaliza a advogada.
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Fonte : CNN