O ministro das Relações Exteriores do Panamá, Javier Martinez-Acha, afirmou nesta segunda-feira (22) que um petroleiro de bandeira panamenha interceptado pelos Estados Unidos e outra embarcação – sem bandeira identificada – perseguida por forças americanas no Caribe não cumpriram a legislação do país nem o direito internacional em sua navegação.
Durante uma coletiva de imprensa no Palácio Bolívar, na Cidade do Panamá, o ministro das Relações Exteriores declarou, em resposta a uma pergunta da CNN, que os “navios sob suspeita desconectaram seus dispositivos de rastreamento, mudaram de nome e apresentaram problemas com os nomes das tripulações”.
“Esses são sinais de alerta graves”, acrescentou.
“Todos esses fatores nos levam a crer que nossa bandeira não está sendo usada de forma responsável. Agimos em conformidade com a lei marítima. Continuamos investigando e exigindo respeito às nossas leis e costumes marítimos”, afirmou Martinez-Acha.
O petroleiro Centuries, apreendido no sábado pela Guarda Costeira dos EUA em águas internacionais ao largo da costa da Venezuela, “transportava petróleo da PDVSA, empresa sujeita a sanções”, afirmou uma porta-voz da Casa Branca no domingo (21), embora o próprio navio não constasse da lista de sanções. Ela também declarou que a embarcação estava operando sob bandeira falsa.
Por sua vez, o vice-ministro das Relações Exteriores, Carlos Guevara Mann, declarou nesta segunda-feira que foi “erroneamente divulgado que o navio confiscado ontem (sábado) estava ostentando a bandeira panamenha, mas isso foi um engano; o navio está ostentando a bandeira da Guiana”. O funcionário acrescentou que o Panamá está acompanhando de perto a situação “delicada”.
Outro petroleiro, o Bella 1, estava sendo perseguido pelos Estados Unidos desde domingo. Essa embarcação está sob sanções – diferentemente dos navios da classe Centuries –, foi associada ao Irã e consta na lista da Organização Marítima Internacional como um navio não-capitânia.
A CNN entrou em contato com a Autoridade Marítima do Panamá para obter mais detalhes sobre os navios, mas ainda não recebeu resposta.
Na quinta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou um “bloqueio total e completo” à entrada e saída de petroleiros sujeitos a sanções na Venezuela.
Na semana passada, o presidente panamenho, José Raúl Mulino, disse que o país está acompanhando com muita atenção o aumento das tensões entre Washington e Caracas.
“Os Estados Unidos têm uma queixa contra a Venezuela por vários motivos, incluindo o seu desrespeito pela democracia e o seu patrocínio ao tráfico de drogas, segundo os critérios estabelecidos pelo governo dos Estados Unidos; esse é um problema entre eles”, observou ele.
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Fonte : CNN