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A Polícia Civil de São Paulo indiciou, pelo crime de intolerância religiosa, o homem que acionou a Polícia Militar após a filha desenhar Iansã — divindade voltada à matriz africana — durante uma aula.

O caso ocorreu em 12 de novembro do ano passado na Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Antônio Bento, na Zona Oeste da capital paulista.

Na ocasião, militares foram acionados e entraram armados na unidade escolar, após uma ligação do pai, que também é policial militar. Ele teria dito que a filha estaria sendo obrigada a ter aula de religião africana.

No dia anterior, terça-feira (11), o pai da criança já havia ido à escola demonstrar sua insatisfação em relação à aula e teria se portado de maneira inadequada, retirando do mural o desenho de Iansã que a filha havia feito.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou que o inquérito foi concluído em fevereiro pelo 34º Distrito Policial (Vila Sônia). Paralelamente, o crime segue sob investigação em um outro Inquérito Policial Militar (IPM).

Repercussão

Naquele dia, os policiais permaneceram na escola por mais de uma hora e foram embora por volta das 17h00 com o pai da aluna.

Em nota na época, a diretora Aline Aparecida Nogueira informou que a escola “não trabalha com doutrina religiosa” e que o “trabalho centrado a partir do currículo antirracista”. Ela disse ainda ter sido “coagida e interpelada pela equipe por aproximadamente 20 minutos”.

O caso provocou revolta nas famílias que têm filhos na unidade escolar. Eles se dispuseram a prestar depoimento sobre o ocorrido.

A Secretaria Municipal de Educação também se manifestou sobre o caso e escreveu que “o pai recebeu esclarecimento de que o trabalho apresentado por sua filha integra uma produção coletiva do grupo” e que a atividade “faz parte de propostas pedagógicas da escola, que tornam obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena no Currículo da Cidade de São Paulo”.

O Sindicato dos Profissionais de Educação manifestou apoio aos responsáveis pela Emei Antonio Bento e afirma que a entrada dos policiais na unidade “gerou constrangimento, intimidação e profundo abalo emocional na equipe escolar”. O sindicato ainda informou que a atividade desenvolvida tem respaldo pedagógico e que “repudia qualquer violação à autonomia pedagógica, qualquer forma de intimidação aos profissionais da educação e qualquer situação que coloque em risco a segurança física e emocional de educadores e estudantes”.

*Sob supervisão de Pedro Osorio

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Fonte : CNN

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