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Enquanto o épico de terror e blues “Pecadores”, dirigido por Ryan Coogler, quebra recordes com 16 indicações ao Oscar, um detalhe pode passar despercebido pelos espectadores mais jovens ou menos atentos ao universo da música.

No encerramento da trama, que mergulha nas raízes do Delta do Mississippi nos Estados Unidos na década de 1930, surge uma figura que não precisa de efeitos especiais para impor respeito: George “Buddy” Guy.

Aos 89 anos, o bluesman de Louisiana é a personificação viva da história da música e do fetiche pela guitarra. Reverenciado por gerações, ele é o artista que Eric Clapton certa vez definiu como “o melhor guitarrista vivo”.

Sua influência atravessou décadas e gerações, moldando o estilo de ícones como Jimi Hendrix, Stevie Ray Vaughan, Jeff Beck, Jimmy Page, Keith Richards e John Mayer.

Alerta de Spoiler: detalhes da reta final do filme “Pecadores”

No clímax emocional do longa, os espectadores descobrem que Sammie Moore, o talentoso “Preacher Boy” (garoto pregador), músico de talento extraordinário interpretado na juventude por Miles Caton, sobreviveu à noite de terror contra forças sobrenaturais. A versão mais velha da personagem, que carrega as marcas da história, é vivida pelo próprio Buddy Guy.

Em entrevista à revista Variety em 2025, o guitarrista revelou o choque ao se deparar com a estética agressiva do filme. “Um cara [Michael B. Jordan] se aproximou de mim e eu não sabia que ele tinha aqueles dentes de vampiro. Quando ele sorriu para o close, eu disse: ‘Meu Deus!’.”

O compositor Ludwig Göransson relatou à Variety que a equipe ficou em silêncio absoluto durante a filmagem da cena final, onde Guy toca “Travelin”. “Foi um momento mágico, de arrepiar.”

Göransson prossegue. “Eu estava preocupado quando terminamos a música, porque ele estava gravando diálogos e atuando por dez horas. Mas quando fizemos a última cena, em que ele está tocando violão, foi um momento mágico. Tínhamos uma equipe inteira no set, mas era como se pudéssemos ouvir uma pena cair no chão. Foi um momento de arrepiar.”

Mestre dos mestres

Para entender por que a presença de Buddy Guy é um evento em “Pecadores”, basta olhar para o retrovisor. Expoente máximo do blues de Chicago, ele pavimentou o caminho na esteira de Muddy Waters (1913-1983) e Howlin’ Wolf (1910-1976). Sua técnica agressiva serviu de bússola para a invasão do rock britânico nos anos 1960.

Um dos gestos mais emblemáticos de respeito à sua trajetória ocorreu no documentário “Shine a Light”, dirigido por Martin Scorsese, que fez uma gravação bem intimista de um show dos Rolling Stones.

No palco, Buddy Guy se juntou à banda inglesa que o reverencia para interpretar “Champagne and Reefer”. Ao fim da música, Keith Richards, em um ato de absoluto respeito, retirou sua própria guitarra e a entregou a Guy, reconhecendo ali o mestre que inspirou sua vida.

A vitalidade de Buddy Guy não é apenas nostálgica, mas atestada pela indústria até hoje. Em fevereiro, o músico conquistou seu 9º Grammy Award na categoria de Melhor Álbum de Blues Tradicional por “Ain’t Done With The Blues”, um título profético para quem, aos 89 anos, continua provando que o gênero está mais vivo do que nunca.

Relação com o Brasil

O público brasileiro também teve o privilégio de testemunhar essa maestria de perto. Buddy Guy realizou apresentações históricas no país, começando em 1989 e retornando em turnês memoráveis em 2009, 2011 e 2012. Sua última passagem foi em 2023, como atração principal do festival Best of Blues and Rock, com sua turnê de despedida global.

Embora o filme “Pecadores” utilize a metáfora de pactos com o sobrenatural —remetendo à lenda de Robert Johnson em uma encruzilhada—, o dom de Buddy Guy é puramente humano. Ao aceitar o convite para atuar, he deixou claro seu propósito à revista Variety: “Qualquer coisa que ajude a manter o blues vivo, eu apoio.”

Em uma temporada de grandes blockbusters, a presença de Buddy Guy serve como um lembrete: as cicatrizes no rosto do personagem Sammie são maquiagem, mas o peso da história que Guy carrega nos dedos é a alma real de Hollywood.

CNN Brasil terá live especial na noite do Oscar

Além de matérias especiais no site, vamos realizar uma live das 19h do domingo (15) às 1h de segunda (16) com Elisa Veeck e Mari Palma na TV e no YouTube. Ao lado de artistas e influenciadores, vamos mostrar desde o tapete vermelho até a divulgação dos vencedores da 98ª edição do prêmio.

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Fonte : CNN

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