As primeiras manifestações do regime iraniano após a definição do novo líder supremo do país vêm com promessas de mais mísseis sobre todo o Oriente Médio, e com alcance maior do que os que vêm sendo disparados nos últimos dez dias contra alvos em Israel e ligados aos Estados Unidos.
“A partir de agora, nenhum míssil com ogiva inferior a uma tonelada será disparado”, escreveu o brigadeiro-general Majid Mousavi, comandante das Forças Aeroespaciais da Guarda Revolucionária do Irã, no X nesta segunda-feira (9).
از این پس موشکی با کلاهک سبکتر از یک تن شلیک نخواهد شد.
طول موج شلیکها و سطح موجها بیشتر و دامنهی آن عریضتر میشود.— Seyed Majid Moosavi (@smajid_moosavi) March 9, 2026
Até o momento, os ataques de drones e mísseis iranianos têm se concentrado sobre todo o território de Israel e sobre as monarquias sunitas do Golfo Pérsico (Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes e Kuwait) e a região do curdistão iraquiano, especialmente alvos ligados à presença americana na região do Oriente Médio, como bases militares e representações diplomáticas.
Em outra declaração, reportada pela mídia estatal iraniana, o major-general Ali Mohammad Naeini, porta-voz da Guarda Revolucionária, disse que o fim da guerra “está nas mãos” do Irã, e não do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O mesmo porta-voz afirmou que “nem um litro de petróleo” passará pela região do Estreito de Ormuz, que liga os portos das monarquias do Golfo Pérsico ao mercado global, enquanto os ataques americano-israelenses contra o Irã perdurarem.
No último domingo (10), clérigos xiitas elegeram Mojtaba Khamenei como o líder supremo do Irã. Ele sucede o próprio pai – Ali Khamenei -, morto ainda nas primeiras horas da atual onda de ataques contra Teerã, em 28 de fevereiro.
Mojtaba chega ao mais alto cargo da República Islâmica após ter perdido não apenas o pai, mas também a mãe e a esposa nos ataques.
A formação teológica de Mojtaba ocorreu em Qom, o principal centro de formação xiita do Irã, de onde também saíram seu pai e o líder da Revolução Iraniana de 1979, o aiatolá Ruhollah Khomeini. Mojtaba ainda não é um aiatolá, mas um clérigo de nível intermediário.
O novo líder optou pela carreira religiosa após atuar como voluntário na Guerra do Irã contra o Iraque, na década de 1980, ainda aos 17 anos. Foi já durante o conflito contra os iraquianos que Mojtaba estreitou relações com figuras que, futuramente, ocupariam altos postos na Guarda Revolucionária do Irã, que atua como uma força armada paralela no país.
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump se disse decepcionado com a escolha de clérigos xiitas pelo filho de Ali Khamenei.
“Fiquei desapontado porque achamos que isso vai levar a mais do mesmo problema para o país”, declarou, durante entrevista coletiva nesta segunda.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi – quem conduzia por Teerã as negociações com os EUA sobre o programa nuclear iraniano até as conversas serem sepultadas pelos ataques -, sugeriu que a diplomacia não está na agenda de Mojtaba.
“E muito cedo para ele fazer qualquer comentário. Todos estão aguardando seus discursos e declarações. Mas não creio que a questão de conversar ou negociar com os americanos esteja novamente em pauta”, declarou o chanceler à rede de TV americana PBS.
Mais cedo, em entrevista à CNN em Teerã, Kamal Kharazi, ex-chanceler e atualmente conselheiro de política externa do Gabinete do Líder Supremo, já havia descartado a possibilidade de a via diplomática estar aberta.
“[O ataque dos EUA e de Israel] é uma ameaça existencial para a República Islâmica e, portanto, temos de permanecer com todas as forças, como estamos fazendo agora”, declarou.
ASSISTA: WW ESPECIAL – TRUMP ERROU AO COMEÇAR GUERRA CONTRA O IRÃ?
* Com informações da Reuters e da CNN
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Fonte : CNN