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A Polícia Federal deflagrou operação para investigar o desvio de recursos públicos oriundos de cotas parlamentares, onde foi identificada uma possível prática de lavagem de dinheiro conhecida como “smurfing”. Na decisão que autorizou a ação, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), destacou essa técnica como um dos métodos utilizados no suposto esquema criminoso.

De acordo com advogados criminalistas consultados pelo analista de Política da CNN Pedro Venceslau, o “smurfing” consiste no fracionamento de saques e depósitos em quantias não superiores a R$ 9.999, com o objetivo de evitar a notificação automática ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), que monitora transações acima de R$ 10 mil.

A curiosidade fica por conta da origem do termo, que faz referência aos personagens do desenho animado “Os Smurfs”, pequenos seres azuis. Segundo os especialistas, trata-se de uma técnica considerada “vintage”, que surgiu nos anos 1980 e hoje é vista como obsoleta e até “burra” por profissionais da área, já que os sistemas de detecção evoluíram significativamente nas últimas décadas.

Esquema envolvendo verbas parlamentares

Conforme apurado pela investigação, parlamentares teriam utilizado agências de aluguel de carros e outros prestadores de serviço, pertencentes a aliados ou laranjas, para desviar dinheiro das cotas de gabinete, que são utilizadas por meio de cartão corporativo. Após o desvio, seria necessário lavar o dinheiro obtido ilegalmente, e uma das práticas identificadas foi justamente o “smurfing”.

Os especialistas ouvidos pela CNN explicaram que, apesar da tentativa de ficar “abaixo do radar” do COAF com depósitos fracionados, essa prática atualmente acaba chamando mais atenção das autoridades do que transferências em valores maiores, devido à evolução tecnológica dos bancos e dos órgãos de controle financeiro.

A decisão que autorizou a operação da Polícia Federal menciona especificamente o “smurfing” na página 19 do relatório, descrevendo-o como uma técnica de lavagem mediante fracionamento de saques e depósitos em quantias não superiores a R$ 9.999, evidenciando um padrão de comportamento que chamou a atenção dos investigadores.

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Fonte : CNN

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