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As famílias venezuelanas contribuem com mais de US$ 10,6 bilhões anualmente para as economias da América Latina e do Caribe, principalmente por meio de gastos com moradia, alimentação, educação e saúde, segundo um novo relatório da OIM (Organização Internacional para as Migrações).

O novo estudo, publicado nesta quinta-feira (18), indica que a migração venezuelana se tornou um importante motor do crescimento econômico na região.

Os imigrantes não apenas consomem e pagam impostos — contribuindo com aproximadamente 1,2% da receita tributária nos países analisados ​​—, mas também abrem empresas, criam empregos e fortalecem a economia local e setores como gastronomia, turismo e tecnologia.

Em San Pedro Sula, no norte de Honduras, esse impacto é evidente no setor de alimentação, como ilustra um dos casos incluídos no estudo da OIM.

Na cozinha do restaurante El Ávila, Andrea Fecarotta, uma venezuelana de 31 anos, coordena uma equipe de 14 hondurenhos.

Ela chegou ao país há nove anos, depois de sair de Caracas, sem um plano definido. Hoje, ela dirige um negócio que combina sabores venezuelanos com ingredientes locais e se tornou uma fonte estável de emprego.

Segundo a OIM, Andrea não se limita a administrar um restaurante: ela gera empregos, dissemina técnicas, treina funcionários locais e defende a fusão cultural como modelo de negócio.

“A culinária pode ser uma linguagem comum”, afirma. Seu empreendimento, de acordo com a organização, esse é um exemplo de como a migração revitaliza as economias locais e transforma a diversidade em valor agregado.

Venezuelana Andrea Fecarotta administra um restaurante em San Pedro Sula, Honduras, onde lidera uma equipe de 14 hondurenhos e gera empregos na comunidade • Sonia Lagos / OIM
Venezuelana Andrea Fecarotta administra um restaurante em San Pedro Sula, Honduras, onde lidera uma equipe de 14 hondurenhos e gera empregos na comunidade • Sonia Lagos / OIM

Casos como o dela não são isolados. O relatório da OIM destaca que empresas lideradas por venezuelanos geraram cerca de 40 mil empregos no Panamá e mobilizaram mais de US$ 1,1 bilhão em investimentos em Aruba, fortalecendo o tecido produtivo dos países anfitriões.

A mais de 2 mil quilômetros de distância, nas encostas de Ciudad Bolívar, ao sul de Bogotá, outro caso analisado pela OIM mostra como a contribuição econômica da imigração venezuelana assume diferentes formas.

Ali vive Irvin Ibarra, uma venezuelana de 59 anos que chegou à Colômbia há uma década, após perder o emprego no estado de Zulia. Professora e treinadora esportiva em seu país, ela começou vendendo café na rua para sustentar a família. Hoje, é uma líder comunitária, afirma a OIM.

Irvin fundou a The Royal Family, uma escola de dança que funciona há quatro anos e impacta a vida de 55 crianças e adolescentes, muitos deles imigrantes ou deslocados internos, de acordo com a OIM.

Irvin Ibarra, um venezuelano que vive em Ciudad Bolívar, Bogotá, dirige a The Royal Family, uma escola de dança que ensina mais de 50 crianças e jovens da comunidade • OIM / Helbert Hernández
Irvin Ibarra, um venezuelano que vive em Ciudad Bolívar, Bogotá, dirige a The Royal Family, uma escola de dança que ensina mais de 50 crianças e jovens da comunidade • OIM / Helbert Hernández

Embora seu trabalho seja cultural e social, diz a organização, seu impacto econômico é tangível: gera atividade local, mobiliza recursos comunitários e contribui para prevenir o abandono e a exclusão escolar.

O estudo da OIM — baseado em pesquisas realizadas na Colômbia, Panamá, Equador, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Peru e Aruba — destaca que a população imigrante venezuelana é altamente produtiva e possui sólida formação técnica e universitária.

No entanto, esse potencial permanece limitado: 82% trabalham no setor informal e 41% não têm acesso a crédito ou serviços financeiros formais, segundo o relatório.

“Essas barreiras restringem sua autonomia econômica, o crescimento de seus negócios e sua capacidade de contribuir de forma ainda mais substancial para o desenvolvimento local”, observa a OIM.

Mesmo assim, a organização afirma que o progresso na regularização tem sido significativo. Dos 6,9 milhões de venezuelanos que vivem na América Latina e no Caribe, quase 70% têm situação migratória regularizada, de acordo com o relatório.

“A regularização é, portanto, uma base necessária para reduzir a informalidade e maximizar as contribuições econômicas dos migrantes”, acrescenta.

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Fonte : CNN

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