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A Raízen, gigante da energia e do agro, anunciou nesta quarta-feira (11) que protocolou um pedido de recuperação extrajudicial a credores para que possa reestruturar uma dívida de R$ 65 bilhões.

O anuncio repercutiu nas ações da companhia negociadas na bolsa brasileira: os papéis fecharam em queda de 5,77%, negociados a R$ 0,49, após oscilações durante o pregão.

Gustavo Cruz, analista da RB Investimentos, explica que há algumas semanas as ações da empresa passaram a ser considerados pennystocks – ou seja, a Raízen não vale nem um real, literalmente.

Gustavo aponta que o baixo valor nos papéis pode enfrentar piora nos próximos dias, não só pelo alto endividamento, mas devido ao rebaixamento de nota Caa1 para Caa3 pela agência de rating Moody’s, publicado na véspera.

“O que pode acontecer devido a tudo isso é que ela provavelmente vai sair do Ibovespa. Só de pedir a recuperação ela já não fica. Para o investidor, ele vai tratar, por um bom tempo, como uma empresa mais arriscada”, avalia Cruz.

Segundo Cristiano Leal, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela B7 Business School, o mercado já vinha precificando um cenário de reestruturação há alguns meses.

“As ações acumulavam uma queda próxima de 70%, negociando abaixo de R$ 1, enquanto os bonds [títulos de dívida] da companhia já eram negociados em níveis de distress, chegando a ser vendidos por cerca de 30% do valor de face”, afirmou.

Os especialistas citam que os investidores devem assumir uma postura de maior cautela com a Raízen neste momento.

“A própria Shell, uma das principais controladoras, já sinalizou em comunicado anterior que não pretende aumentar sua participação na Raízen, o que reduz a expectativa de um suporte de capital mais robusto no curto prazo”.

E acrescenta: “Não vejo um cenário tão tranquilo para a empresa, especialmente considerando a incerteza sobre os termos finais desse processo, que podem envolver diluição relevante para os acionistas atuais”.

Apesar da turbulência com as ações da companhia, Cruz, da RB Investimentos, cita companhias que passaram por situações semelhantes e conseguiram reverter o quadro, como as Casas Bahia.

“Ela pediu uma recuperação extrajudicial e conseguiu folêgo nescessário para continuar os negócios”, diz.

Leal também acredita que esse outro caminho pode ser possível, apesar de extremamente arriscado.

“É verdade que momentos de grande estresse costumam gerar oportunidades assimétricas de retorno para investidores dispostos a assumir risco“, e adiciona não acreditar em um cenário de quebra da companhia, dado o tamanho da operação e a relevância estratégica do grupo.

Ainda assim, Leal destaca que esse tipo de investimento deve ser feito por pessoas experientes e conscientes dos riscos envolvidos.

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Fonte : CNN

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