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A Comissão sobre a Situação da Mulher da ONU (CSW70) ocorreu nesta terça-feira (10) em Nova York, nos Estados Unidos. Considerado o principal fórum global dedicado à igualdade de gênero, empoderamento feminino e políticas públicas para mulheres, o evento busca discutir e apresentar temas essenciais ligados ao bem-estar do público feminino.

Este ano, a delegação brasileira apresentou a explicação do termo “wollying”. Por meio de um debate e uma apresentação, o grupo buscou posicionar o País como protagonista em discussões internacionais sobre igualdade de gênero e combate à violência entre mulheres.

O conjunto que representou o Brasil teve a ativista social Kátia Teixeira, fundadora do Instituto QDM – Quais de Mim Você Procura, como uma de suas porta-vozes. Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, a empresária compartilhou como foi fazer parte do evento e levantar a pauta.

“Levar o tema do wollying para um congresso internacional é, antes de tudo, uma responsabilidade enorme. Esse não é um tema individual, é uma pauta coletiva que representa a vivência de muitas mulheres que já passaram por situações de desqualificação, exclusão ou ataques vindos de outras mulheres”, afirmou ela.

Afinal, o que é “wollying”?

O termo original do inglês se refere aos comportamentos de violência emocional, competitividade tóxica e ataques silenciosos praticados entre mulheres em ambientes sociais ou profissionais. Gramaticalmente, a palavra combina woman (mulher, em inglês) e bullying.

Diferente de outros abusos relacionados ao machismo, este trata exclusivamente de atitudes nocivas praticadas por mulheres contra mulheres.

Trazer legitimidade para a temática é, inclusive, a maior dificuldade para resolver a questão. “Quando você propõe um novo conceito, como o wollying, muitas vezes precisa enfrentar resistência, questionamentos e até certo ceticismo. Histórias reais mostram que não estamos falando de casos isolados, mas de um padrão de comportamento que precisa ser debatido”, diz Teixeira.

Ao trazer o wollying como objeto central, a proposta da delegação é ampliar a discussão global sobre esse tipo de ataque psicológico, ainda que ele seja pouco abordado em políticas públicas globais.

No Brasil, há uma lei – Lei Federal nº 13.185 – promulgada em 6 de novembro de 2015, que tipifica o termo como “intimidação sistemática, por meio de violência em atos de humilhação ou discriminação”.

Embora já seja reconhecido nacionalmente, não há um número significativo de ações ou organizações que tratem sobre o assunto ou promovam meios para combatê-lo.

“Quando ampliamos o debate sobre o wollying, abrimos caminho para pesquisas, educação social e, consequentemente, políticas públicas que promovam ambientes mais saudáveis. Mas também existe uma mudança cultural importante: a construção de uma mentalidade em que mulheres deixem de se ver como concorrentes e passem a se reconhecer como parceiras”, completou Kátia.

*Publicada sob supervisão de Gabriela Maraccini

 

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Fonte : CNN

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