A principal crítica de cinema do The New York Times, Manohla Dargis, aproveitou sua participação no podcast “The Sunday Daily”, neste domingo (8), para defender que “O Agente Secreto” é o filme que todos deveriam ver nesta temporada do Oscar.
Manohla, que é cinco vezes finalista do Prêmio Pulitzer de Crítica, logo no começo da conversa, descreve a safra de indicados deste ano como incomum.
Provocada pelo apresentador Michael Barbaro a resumir o momento em uma palavra, escolhe “surpreendente”.
“Há muitos filmes bons neste ano. É um sinal de que a indústria [americana de cinema] não está morta”, disse Manohla.
Na análise dos indicados, a crítica deixou transparecer sua predileção por “Pecadores” e “Uma Batalha Após a Outra”, títulos que, para ela, simbolizam os estúdios de Hollywood mais disposto a arriscar. Para ela, fazendo uma análise profissional, um deles vencerá na categoria Melhor Filme.
Na categoria de Melhor Ator, um dos três irá vencer para ela: Timothée Chalamet por “Marty Supreme”, Michael B. Jordan por “Pecadores” ou Ethan Hawke por “Blue Moon”.
Wagner Moura, indicado por “O Agente Secreto”, não é citado entre os destaques de Manohla, assim como Leonardo DiCaprio, por “Uma Batalha Após a Outra”.
No que diz respeito à categoria de Melhor Atriz, Manohla se alinha ao consenso da maioria. Para a crítica, a vitória da britânica Jessie Buckley por sua atuação em “Hamnet” é praticamente certa. “Seria a grande surpresa do dia se o resultade fosse outro.”
Qual filme deve ser visto?
Na disputa de melhor filme, Manohla reforça a força dos seus preferidos e diz que a briga está concentrada justamente entre “Pecadores” e “Uma Batalha Após a Outra”.
“São filmes em que os estúdios assumiram grandes riscos”, resume, ao comentar o tipo de projeto ambicioso que, na visão dela, dá esperança para o futuro de Hollywood.
No entanto, quando perguntada sobre qual fime deveria ser visto, mesmo que não esteja entre os favoritos, Manohla não hesita: “‘O Agente Secreto’”, responde, sem pestanejar.
Ela afirma que Kleber Mendonça Filho é um dos seus diretores favoritos da temporada, mesmo não estando indicado ao Oscar. Em tom bem-humorado, lembra que o brasileiro, assim como ela é agora, foi crítico de cinema antes de se tornar cineasta, e completa: “Ele é realmente bom.”
Ao longo do episódio, enquanto trechos de áudio de “O Agente Secreto” são ouvidos, Manohla explica rapidamente o contexto do longa, ambientado in 1977, durante a ditadura militar brasileira, e centrado em um professor universitário que entra na clandestinidade.
Para ela, um dos trunfos do filme é a imprevisibilidade. “Se você assistir a este filme, com certeza não saberá o que acontece a seguir, o que é absolutamente ótimo”, diz a crítica, sugerindo que a narrativa escapa das fórmulas mais previsíveis da temporada.
Manohla também destaca a combinação de tons que Kleber constrói em “O Agente Secreto”. Segundo ela, o filme vai de momentos “ultrajantes” e comédia quase burlesca a cenas que tratam diretamente do que significa viver sob opressão política e tentar sobreviver.
Em certo momento, ela lembra dos ataques da perna cabeluda, que representa a censura da época. “Tem uma perna que chuta as pessoas, e beira o absurdo. Mas isso também é sobre como é viver sob opressão política, enquanto tenta sobreviver.”
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Fonte : CNN