O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou que o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi uma “afronta à legislação eleitoral”.
A escola, que estreou nesse domingo (15) no Grupo Especial das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, apresentou um enredo que conta a trajetória pessoal e política do chefe do Executivo.
“O carnaval é uma festa popular de expressão cultural. É algo muito importante e não deve ser usado para campanha eleitoral disfarçada”, começou Nunes.
“Foi uma afronta à legislação eleitoral, com ataque a adversários políticos do homenageado, mas que também atinge grande parcela da população que tem opinião política diferente. Em ano eleitoral, é um evidente abuso eleitoreiro com o aval de um governo sem limites para tentar se perpetuar no poder”, completou.
O desfile virou alvo de uma série de críticas da oposição. O evento deverá ser alvo de análise tanto em processo já aberto no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que apura a possível configuração de propaganda eleitoral antecipada na apresentação, quanto por novas demandas apresentadas por partidos políticos.
Lula acompanhou o desfile direto da Marquês de Sapucaí, no camarote do Executivo municipal, ao lado do prefeito Eduardo Paes (PSD), ministros e aliados.
Nesta manhã, em manifestação nas redes sociais, o petista falou em “muita emoção” ao relembrar a noite.
“Tive a honra e a alegria de acompanhar o desfile da Acadêmicos de Niterói, Imperatriz Leopoldinense, Portela e Estação Primeira de Mangueira. Muita emoção”, afirmou.
O desfile
Intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil“, o samba-enredo da Acadêmicos de Niterói contou a história do presidente da República desde a saída de Garanhuns, no agreste de Pernambuco, sua vinda para São Paulo com a família, os tempos de líder sindical e sua chegada ao Planalto.
O desfile também fez críticas a opositores do presidente. Logo no início, foi mostrado o ex-presidente Michel Temer (MDB) “roubando” a faixa presidencial de Dilma. Depois, Lula é preso e Temer passa a faixa ao palhaço Bozo (personagem famoso dos anos 1980), que estaria representando Jair Bolsonaro (PL).
Posteriormente, é visto o retorno de Lula ao Poder e a prisão do palhaço, ao lado do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Em sessão na última quinta-feira (12), todos os ministros do TSE manifestaram preocupação com o conteúdo do desfile, afirmando ser um ambiente “muito propício a ilícitos eleitorais”.
A presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, chegou a comparar a apresentação a uma “areia movediça”, em que quem entra “sabe que pode afundar”.
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Fonte : CNN