wp-header-logo.png

O Oscar 2026 colocou o cinema brasileiro no centro do mundo. Mas a força que levou “O Agente Secreto” à Hollywood não surgiu do nada.

Ela é parte de um movimento mais amplo, alimentado por uma geração de cineastas que vem acumulando prêmios e plateias em Gramado, Berlim, Veneza e Cannes.

São diretores e diretoras que chegam aos longas-metragens com trajetórias densas, olhares autorais e histórias que o mundo tem escolhido assistir. Conheça seis nomes para acompanhar.

Luciano Vidigal

Ao longo de mais de duas décadas, Luciano Vidigal construiu uma carreira plural entre a atuação, o teatro e a direção — sempre com a periferia carioca como território. Cria do Morro do Vidigal e professor da ONG Nós do Morro, ele participou da preparação de elenco de “Cidade de Deus” (2002), dirigiu episódio de “Cinco Vezes Favela – Agora por Nós Mesmos” (2010) e assinou o documentário “Cidade de Deus – 10 Anos Depois” (2013).

Foi com “Kasa Branca” (2024), porém, que estreou na ficção de longa-metragem solo — e em grande estilo. O filme, que acompanha um adolescente negro da periferia carioca nos últimos dias ao lado da avó com Alzheimer, recusou estereótipos e apostou na poesia para retratar masculinidades negras.

O resultado: o Troféu Redentor de melhor direção no Festival do Rio 2024, tornando Vidigal o primeiro cineasta negro a vencer a categoria na competição principal de ficção do festival.

Marcelo Caetano

Mineiro radicado em São Paulo, Marcelo Caetano percorreu o cinema brasileiro por dentro antes de afirmar sua própria voz como diretor — como assistente de direção em “Tatuagem” (2013) e “Boi Neon” (2015), e como produtor de elenco em “Aquarius” (2016) e “Bacurau” (2019), ambos de Kleber Mendonça Filho.

Formado em ciências sociais pela USP, acumulou mais de 50 prêmios nos curtas antes de estrear nos longas com “Corpo Elétrico” (2017), exibido em mais de 30 países, premiado pela APCA e no Festival de Guadalajara. Com “Baby” (2024), levou essa voz à Semana da Crítica do Festival de Cannes — e saiu de lá com o prêmio de melhor ator revelação para Ricardo Teodoro.

Marcelo Botta

Antes de estrear no cinema, Marcelo Botta passou mais de uma década dirigindo séries documentais e de ficção para grandes canais internacionais, como MTV, Paramount, Disney, Fox, FX e Comedy Central, filmando em mais de 20 países e acumulando prêmios como o ABRA e o APCA.

Foi durante uma série sobre pessoas de lugares isolados da América do Sul, percorrendo do Atacama à Amazônia, que chegou aos Lençóis Maranhenses e conheceu a história de Dona Maria do Celso, líder comunitária que inspirou seu primeiro longa. “Betânia” (2024) estreou na 74ª Berlinale com ovação de pé, rodou o mundo entre 2024 e 2026, e foi premiado no maior festival de cinema da Malásia.

Botta já desenvolve dois novos longas em coprodução internacional: “México 70” e “Bramaica”.

Djin Sganzerla

Filha dos cineastas Rogério Sganzerla e Helena Ignez, Djin Sganzerla estreou atrás das câmeras, em 2020, com “Mulher Oceano“, que também roteirizou e protagonizou. Rodado entre Tóquio e o Rio de Janeiro, o longa colheu 15 prêmios nacionais e internacionais, circulou por festivais na Europa, EUA e Ásia.

Seu segundo longa, “Eclipse”, foi selecionado para a competição Novos Diretores da 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.

Mariana Brennand

Brasiliense formada em cinema na Universidade da Califórnia, Marianna Brennand construiu sua trajetória no documentário antes de migrar para a ficção. Seu filme sobre o tio-avô, o artista Francisco Brennand, foi duplamente premiado na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, como melhor documentário e melhor filme brasileiro.

Manas” (2024), resultado de uma década de investigação sobre abuso sexual infantil no Marajó, foi seu primeiro longa de ficção, e estreou na Giornate degli Autori do Festival de Veneza, onde conquistou o prêmio principal da mostra. Em maio de 2025, foi reconhecida com o prêmio de talento emergente no Women in Motion Awards, em Cannes, ao lado de Nicole Kidman.

Laís Melo

Laís Melo passou pela equipe de “Deserto Particular“, de Aly Muritiba, como diretora assistente, e codirigiu a série “Cartas para o Futuro” para o National Geographic.

Na direção autoral, estreou com o curta “Tentei“, que levou os prêmios de melhor filme, fotografia e atuação no 50º Festival de Brasília. Seu primeiro longa, ““, acompanha uma mãe periférica ameaçada pelo ex-marido enquanto disputa uma promoção com a própria melhor amiga.

O filme saiu de Festival de Gramado 2025 com três Kikitos: melhor direção, melhor fotografia e melhor filme pelo júri da crítica.

source
Fonte : CNN

Destaques Informa+

Relacionadas

Menu